Os dois gols de Matheus Cunha diante do Haiti na vitória da seleção brasileira por 3 a 0, nesta sexta-feira (19), no segundo jogo na Copa do Mundo na América do Norte, reforçam uma preferência que Carlo Ancelotti vem demonstrando desde que assumiu a equipe verde e amarela.
O treinador parece valorizar atacantes capazes de participar da construção das jogadas, recuar para se conectar com o meio de campo, abrir espaço para companheiros, e não apenas ficar perto da área, à espera da bola.
O atacante do Manchester United preenche esses requisitos. Escalado no lugar de Igor Thiago, o titular no empate com Marrocos (1 a 1), na estreia, o camisa 9 apareceu frequentemente fora da área, buscando a bola no meio de campo, além de facilitar as infiltrações de Vinicius Junior e Raphinha.
Os dois primeiros gols do Brasil nasceram justamente de um jogador presente na zona de finalização, mas cuja atuação foi muito além dela.
No primeiro, ele estava atento para se posicionar para um rebote. Vinicius Junior finalizou e, meio que sem querer, o camisa 9 empurrou para a rede vencendo uma dividida de bola com o zagueiro Delcroix.
Depois, recebeu uma assistência do camisa 7 e finalizou conscientemente forte para vencer o goleiro Placide.
Matheus Cunha se apresentou justamente da forma como foi descrito por Ancelotti na véspera da partida, como um “atacante associativo, com mais qualidade de segundo atacante do que de referência.”
A partida do atacante paraibano de 27 anos ajuda a entender por que Endrick ainda está em último na fila do ataque da seleção brasileira.
Embora o garoto de 19 anos seja descrito pelo treinador como um “talento extraordinário”, o desempenho do camisa 9 sugere que o italiano encontrou uma peça mais próxima da ideia de jogo que pretende consolidar na seleção.
Isso não encerra o debate sobre Endrick. Mas torna mais clara a lógica por trás de uma das decisões mais questionadas de Ancelotti desde o início do Mundial.
O placar elástico também não indica que todos os problemas ofensivos do Brasil foram resolvidos.
Mesmo diante da fragilidade do adversário, os brasileiros levaram 23 minutos para contabilizar a primeira finalização correta no jogo. E foi logo no lance em que Matheus Cunha abriu o placar.
Se o Brasil pôde ser paciente até acertar o alvo diante do Haiti, contra seleções mais fortes a paciência pode não ser suficiente.
Por isso o time de Ancelotti ainda precisa aumentar o volume ofensivo para a sequência da Copa, sobretudo para o mata-mata.
Para o jogo contra a Escócia, na última rodada da fase de grupos, o italiano, porém, talvez tenha que fazer uma nova mudança no setor ofensivo. No final do primeiro tempo contra o Haiti, Raphinha precisou ser substituído após levar uma entrada dura.
O jovem Rayan, de 19 anos, foi o escolhido para entrar em campo, mas teve atuação discreta. Mais acesos entraram no segundo tempo Gabriel Martinelli e Endrick, aos 19 minutos.
O atacante do Arsenal acertou o travessão em uma boa finalização, anulada depois por posição de impedimento.
Já o jogador que está de volta ao Real Madrid após período de empréstimo ao Lyon balançou a rede na primeira oportunidade que teve, mas o gol foi anulado por posição irregular.
Pelo menos o duelo serviu para tirar do jovem de 19 anos o peso de uma estreia em uma Copa do Mundo, algo que, aparentemente, ele não sentiu.

