Saúde

Avanços científicos podem demorar anos para impactar vida do paciente


Ano após ano, a medicina tem avançado em diversas áreas. Estudos científicos pequenos e grandes são responsáveis pelo progresso que eleva as práticas clínicas do dia a dia, trazendo métodos mais eficazes e terapêuticas que permitem aos pacientes maiores chances de tratamento e cura.

Mas, como essas evidências são transformadas em decisões clínicas capazes de melhorar o tratamento dos pacientes?

De acordo com cardiologistas, não é simples implementar as novidades na prática. É preciso saber como interpretar esses estudos e ter senso crítico, fazer uma tradução das publicações para aplicar em diretrizes e protocolos e integrar a melhor evidência disponível com os valores e as preferências do paciente.

O coordenador de Cardiologia da Rede D’Or em São Paulo, regional Oeste, Fábio Augusto De Luca, explica que esse ciclo que só se fecha quando os desfechos para os pacientes são comprovados na prática.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

“Não basta adotar uma conduta nova, é preciso acompanhar se ela está de fato reduzindo mortalidade, complicações e reinternações, ou melhorando a qualidade de vida. Quando o médico se mantém atualizado, a instituição estrutura protocolos e o resultado é monitorado. Assim, a evidência científica deixa de ser um artigo em uma revista e vira o que realmente importa: um paciente melhor cuidado”, destaca.

De Luca esclarece que nem todo estudo tem o mesmo peso: ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises estão no topo. As sociedades médicas fazem o trabalho de filtragem e consenso, e as instituições de saúde transformam dados científicos em rotinas.

A médica Jacqueline Miranda, chefe de cardiologia do Hospital Copa D’Or, alerta que uma grande dificuldade ao disseminar as evidências publicadas é transformar as informações em mudanças, ações e procedimentos médicos do dia a dia clínico.

“Existe uma coisa chamada inércia terapêutica, que é quando o médico conhece a evidência, sabe que aquilo é novo, mas tem dificuldade de mudar a sua prática clínica, de incorporar aquela evidência na rotina”, explica.

O caminho entre a publicação científica e o consultório será tema central do Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D’Or 2026, que acontece de 6 a 8 de agosto no Rio de Janeiro.

Todas as descobertas científicas chegam ao paciente?

Segundo De Luca, nem todo avanço científico chega ao consultório. “Na verdade, apenas uma pequena parte das pesquisas consegue demonstrar benefícios suficientes para modificar a prática clínica. Uma evidência só passa a fazer parte da rotina médica quando seus resultados são consistentes, reproduzidos por outros estudos e mostram que o benefício para o paciente supera claramente os riscos”, diz.

Geralmente, o tempo de incorporação é bastante variável e pode levar, em média, entre cinco e 10 anos. Mas quando um estudo demonstra impacto importante na redução de mortalidade ou hospitalizações, por exemplo, a incorporação pode ocorrer em menos de dois anos.



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