A Fifa (Federação Internacional de Futebol) anunciou na noite de sexta-feira (31) a interrupção do projeto que havia anunciado no início da semana. Diante de fortíssima rejeição no mundo do futebol, foi abortado o plano de vender uma participação minoritária significativa em uma nova entidade comercial avaliada em cerca de US$ 20 bilhões (R$ 101,5 bilhões).
“Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não atendem mais ao interesse do objetivo estabelecido inicialmente. Nosso propósito sempre foi –e sempre será– unir e melhorar. Como resultado, esta proposta não seguirá adiante”, afirmou o presidente da federação, Gianni Infantino.
Em declaração divulgada pela entidade que preside, ele observou que “o Fifa Forward Enterprise tinha como objetivo fornecer uma base para fortalecer ainda mais as associações que são membros da Fifa”. Mas apontou que só iria adiante após “um processo de consulta” e “se a maioria das associações estivesse de acordo”.
Claramente, não foi o caso. A proposta apresentada foi recebida de maneira bastante negativa por atores importantes no futebol, notadamente algumas das confederações continentais. Houve reverberações até mesmo dentro da Fifa. O conselheiro sênior de Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou ao cargo, dizendo opor-se frontalmente ao projeto.
Na quinta-feira (30), a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) aprovou por unanimidade um boicote às competições da Fifa enquanto a proposta não fosse retirada. A Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, da América Central e do Caribe) e a AFC (Confederação Asiática de Futebol) também manifestaram oposição.
Ainda assim, Infantino procurava resistir. Na própria sexta, antes do anúncio da desistência, chegou a se defender das críticas de que estava colocando o futebol à venda. “A Fifa reconhece e respeita as opiniões e preocupações expressas publicamente. Ninguém está vendendo o futebol. Isso é algo que a Fifa jamais consideraria”.
O plano apresentado abruptamente na terça-feira (28) era criar a FFE (Fifa Forward Enterprise), que administraria atividades comerciais (transmissão, patrocínios, venda de ingressos, licenciamento) e aquelas relacionadas a eventos (Copa do Mundo e Mundial de Clubes, entre outros). A expectativa era arrecadar ao menos US$ 4 bilhões (R$ 20,3 bilhões) com a venda de participação minoritária.
Apesar das tentativas de justificativa, a rejeição continuava aparecendo por todos os lados. O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, disse que os funcionários foram “enganados” por Infantino, descrevendo a proposta como um “projeto de uma única pessoa”. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham disse que Gianni era “a pessoa errada para liderar a organização”.
Então, na noite de sexta, a Fifa desistiu.
