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Ataques hackers abrem mercado bilionário para gigantes da IA


O avanço dos ataques hackers e o uso de inteligência artificial (IA) por criminosos digitais estão abrindo espaço para que grandes empresas de tecnologia ampliem sua atuação no mercado de segurança cibernética. OpenAI e Anthropic estão entre as companhias que investem em ferramentas capazes de identificar vulnerabilidades em sistemas e códigos de software, em um setor que movimentou US$ 150 bilhões em 2025.

As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, em conteúdo originalmente produzido pela revista The Economist. A avaliação é de que a sofisticação dos ataques, impulsionada pelo uso de IA, deve aumentar a demanda por soluções de proteção digital e ampliar os gastos das empresas com segurança. 

Um dos exemplos da dimensão do problema é o roubo de criptomoedas atribuído a hackers norte-coreanos. Segundo a empresa de análise Chainalysis, criminosos ligados ao país roubaram US$ 2 bilhões em criptomoedas em 2025, três vezes o valor registrado dois anos antes.

Em 29 de outubro de 2026, a corretora Binance também sofreu um ataque que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões, segundo a reportagem. O FBI atribuiu a ação à Coreia do Norte. A empresa informou que os hackers conseguiram acessar seus sistemas por meio do computador de um engenheiro. 

OpenAI e Anthropic apostam em segurança digital

A OpenAI considera a cibersegurança uma oportunidade de negócio em expansão. Sarah Friar, diretora financeira da companhia, afirmou acreditar que o segmento se tornará um negócio de grande porte para a empresa nos próximos dois anos.

A companhia também contratou um executivo da Wiz, empresa israelense de segurança cibernética pertencente ao Google, para atuar na comercialização de seus softwares para grandes organizações.

A Anthropic, concorrente da OpenAI, também apontou a segurança cibernética como uma de suas principais oportunidades comerciais de curto prazo em documentos apresentados para sua futura abertura de capital.

A empresa ganhou destaque em abril de 2026, quando decidiu não disponibilizar publicamente o modelo Mythos, considerado avançado para identificar vulnerabilidades. Em vez disso, ofereceu acesso à ferramenta a empresas de software e instituições financeiras selecionadas para auxiliar na avaliação de suas defesas digitais.

A OpenAI também apresentou uma solução própria. Segundo a reportagem, a tecnologia da empresa foi utilizada para identificar um conjunto de vulnerabilidades no PHP, linguagem de programação que sustenta parte significativa da internet. 

Gastos com cibersegurança podem crescer

O mercado de softwares de segurança cibernética movimentou US$ 150 bilhões em 2025, de acordo com dados da consultoria IDC citados pela reportagem. A expectativa é de expansão dos investimentos à medida que as organizações reconheçam os riscos associados ao uso de IA em ataques digitais.

Greg Brockman, cofundador da OpenAI, afirmou que, no futuro, os gastos com segurança cibernética poderão superar em muito os investimentos em outras categorias de software.

A movimentação também alcança empresas de outros setores. O Goldman Sachs, por exemplo, aumentou significativamente a parcela de seu orçamento destinado à segurança cibernética, segundo pessoas familiarizadas com a iniciativa ouvidas pela reportagem.

A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz também recomendou às companhias de seu portfólio que considerassem dobrar os gastos com proteção digital. 

Ataques a supermercados europeus mostram riscos da conexão digital

Uma onda de ataques cibernéticos também atingiu supermercados europeus em novembro. Os incidentes afetaram sistemas de refrigeração de lojas na Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Estônia, Irlanda e outros países, provocando alterações nas temperaturas de geladeiras e freezers e obrigando estabelecimentos a descartar alimentos.

Na Suécia, uma unidade da rede ICA registrou temperaturas de até 50°C nos equipamentos. Na Bélgica, cinco lojas da rede Colruyt tiveram sistemas de refrigeração atingidos. Os episódios ocorreram poucas semanas depois de um ataque semelhante na França, que afetou centenas de supermercados.

Os casos evidenciam como equipamentos conectados à internet, mesmo aqueles que não são tradicionalmente associados à tecnologia da informação, podem se tornar alvos de criminosos digitais. Sistemas de refrigeração, câmeras e alarmes monitorados remotamente ampliam a superfície de exposição das empresas a invasões. 

IA ainda enfrenta limitações na correção de falhas

Apesar do potencial das ferramentas, especialistas apontam que os modelos de IA ainda enfrentam dificuldades para priorizar vulnerabilidades e corrigir os problemas identificados.

Um dos desafios é transformar a capacidade de localizar falhas em soluções efetivas para os sistemas. Em setembro, a Collinear AI lançou um teste para avaliar a capacidade dos modelos de identificar e corrigir vulnerabilidades. Na ocasião, o melhor produto da Anthropic concluiu menos da metade das tarefas. No mês seguinte, um novo modelo do Google alcançou 71% de sucesso.

Outro obstáculo para as empresas de IA é conquistar a confiança dos clientes. O mercado de segurança cibernética é fragmentado e tradicionalmente depende de diferentes fornecedores de softwares e consultorias especializadas.

OpenAI e Anthropic propõem uma abordagem mais integrada, na qual agentes de IA analisam códigos de empresas e corrigem falhas identificadas. No entanto, fornecedores tradicionais, como Microsoft e Palo Alto Networks, já possuem plataformas abrangentes e relacionamentos consolidados com organizações.

A disputa pelo mercado, portanto, não depende apenas da capacidade técnica dos modelos, mas também da confiança das empresas e da capacidade de oferecer soluções completas para prevenir, identificar e responder a ataques digitais. 

Com informações da Folha de S. Paulo e G1





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