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Será que Neymar não vai conseguir se controlar nunca? – 29/10/2026 – O Mundo É uma Bola


Eu poderia versar sobre Harry Kane, centroavante completo que ganhou pela primeira vez a Bola de Ouro. Não vou. Ou sobre a convocação da seleção brasileira para os amistosos contra Japão e Singapura. Não vou. Ou sobre a celeuma gerada pela menção de Mbappé a Mao Tsé-tung. Não vou.

Verso, depois de um tempinho, sobre Neymar. Que mais uma vez ganhou holofotes não pela atuação futebolística, boa ou ruim, como deveria ser, a fim de se avaliar um craque que segue na ativa aos 34 anos, teimando em peitar, com muita vontade, os problema físicos.

As luzes focalizaram Neymar para mostrá-lo em nova situação de descontrole emocional. Em Santos x Bahia, no sábado (24), na Vila Belmiro, depois de sofrer falta não violenta de Rodrigo Nestor por volta dos 30 minutos do primeiro tempo, o camisa 10 desatinou de imediato e por completo.

Jogou a bola no corpo do adversário, recebeu cartão amarelo e decidiu esquecer-se da partida e perseguir o meia do Bahia. Queria de alguma forma revidar, e passou a fazê-lo com ofensas, palavrões.

De acordo com Nestor, 26, os ataques verbais não foram apenas a ele mas também à agremiação baiana. Pelo entendido, Neymar teria colocado o Bahia em patamar inferior. Historicamente, pelas conquistas, sim, o Santos é muito maior. Atualmente, contudo, quem está na frente no Brasileirão é o Bahia, que merece ser respeitado.

A etapa inicial terminou, e com ela encerrada todos vão aos vestiários se preparar para fazer um grande segundo tempo –o Santos perdia por 1 a 0 em um gramado encharcado pela forte chuva e precisava de foco, raça e força total para reagir.

Só que Neymar tinha outra prioridade. Na volta dos atletas ao campo, foi direto para as proximidades de Nestor. Manteve a resenha boca-suja e, súbito, levou a mão à boca para proferir alguma outra frase. Deu a deixa para o pior.

Pela regra atual, não se pode tapar a boca em conversa com o adversário. A Lei Vini Jr. –criada depois que o argentino Prestianni, do Benfica, dirigiu-se dessa forma ao atacante brasileiro do Real Madrid– não permite. A pena é o cartão vermelho.

Nestor avisou o árbitro, que foi conferir nas imagens oferecidas pelo VAR. Resultado: expulsão. Resultado do resultado: Neymar surtado, querendo partir para as vias de fato com Nestor. Acabou contido. Foi “pro chuveiro” esfriar a cabeça, e o Santos seguiu com um a menos (empatando heroicamente no fim).

Impressiona-me como um jogador de tamanha experiência, com centenas de partidas profissionais disputadas, perde a calma com tanta facilidade e por motivos, na minha análise, fúteis. Neymar não é capaz de tolerar provocação de rival, cobrança de torcedor, marcação desfavorável de árbitro. Ele estoura.

Alguém dirá: tem que ser assim, não pode ter sangue de barata. Duvidoso e arriscado. Neymar punido, sua equipe é prejudicada. Perde sua referência técnica, seu capitão, seu líder.

Pergunto-me: quando Neymar irá crescer, amadurecer em certos aspectos profissionais? Um psicólogo é recomendável, talvez ajude. Porém, se alguém lhe disser isso e ele não gostar, sentir-se ofendido, birrará como um menino, talvez agressivamente.

Homem feito, pai de quatro filhos (um quinto a caminho), não pode. Tem que deixar de ser antiexemplo. Para ontem.


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