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Richarlison x Flávio Bolsonaro: entenda disputa entre eles – 23/10/2026 – Esporte


O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o jogador do Tottenham e da seleção brasileira Richarlison se envolveram em uma polêmica em torno de uma propriedade de luxo em Angra dos Reis (RJ).

A disputa pelo casarão —equipado com cachoeira particular e situado próximo ao aeroporto da região costeira do Rio de Janeiro— estende-se desde 2020.

Entenda a seguir o conflito entre as partes.

‘na mão grande’: a versão de Richarlison

O jogador afirma que, em 2020, ele e um sócio compraram a mansão na ilha Comprida, em Angra dos Reis, em um investimento total de R$ 10 milhões.

O terreno é de propriedade da União. O que Richarlison havia comprado era o direito de ocupação da propriedade.

Ele diz que pagou os antigos posseiros, indenizou os moradores, fez reformas e investiu em segurança contra invasões.

Logo na sequência surgiram pessoas interessadas em comprar o imóvel. Entre elas estava Flávio Bolsonaro, de acordo com a versão do jogador.

Em 27 de julho de 2020, o senador visitou pela primeira vez uma ilha.

Em 2022, ainda na gestão Jair Bolsonaro (PL), o jogador diz que ele e seu sócio foram surpreendidos por um mandado de reintegração de posse movido pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer.

“Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou o atleta.

Ainda segundo Richarlison, o advogado Willer Tomaz e Flávio entraram diretamente na SPU (Secretaria do Patrimônio da União) com o pedido de regularização do imóvel em favor do senador.

Em 13 de maio de 2022, uma liminar consolidou o entendimento que o direito de uso do espaço era de Willer. Vizinhos do local e o jogador Richarlison, entretanto, afirmam que é Flávio quem mais frequenta o local.

No meio de uma confusão burocrática sobre a validade da posse de Renato Pinto Cunha, que vendeu a propriedade para Richarlison, o então secretário do Patrimônio da União, coronel Paulo da Silva Medeiros, cedeu a posse da mansão para Willer no mesmo dia em que ele protocolou uma certidão de autorização para transferência.

O coletivo Derrubando Muros enviou uma representação ao MPF (Ministério Público Federal) para investigar o caso.

“O pedido foi aceito em tempo recorde, Richarlison perdeu o imóvel, e a ilha passou a pertencer a Flávio Bolsonaro”, afirmou José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros.

‘Transitado em julgado’: a versão de Willer

O advogado Willer sustenta que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais do imóvel, classificando os antigos ocupantes como invasores.

Ele desafiou Richarlison a apresentar documentos que comprovassem seu vínculo com a propriedade.

O jogador publicou um vídeo em suas redes sociais na quarta-feira (21) em que apresenta documentos que, segundo ele, comprovam a legalidade da compra da propriedade.

Willer Tomaz afirmou que os papéis exibidos por Richarlison “confirmam que o atacante pagou a posseiros, e não à proprietária de direito”.

“Até os valores divergem: no vídeo, fala em R$ 4,66 milhões, mas a Sport 70, empresa ligada a ele, declarou nos autos ter desembolsado R$ 2,6 milhões. Do outro lado, há escritura registrada, certidão da SPU e decisões favoráveis em todas as instâncias, inclusive no STJ, transitadas em julgado”, disse o advogado.

Em manifestações anteriores, o senador negou qualquer atuação irregular, afirmando manter apenas relação de amizade com Willer Tomaz.

“Fake news que eu esteja em litígio com Richarlison. A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela primeira vitória do Brasil na Copa do Mundo”, publicou Flávio em suas redes sociais em 2022, fazendo referência ao gol de Richarlison na estreia da seleção brasileira no Mundial do Qatar, contra a Sérvia, eleito o mais bonito do torneio.

Flávio e Willer

Após aparecerem as primeiras suspeitas de uma sociedade indireta entre Willer e Flávio, os dois reiteraram que os laços entre suas famílias eram apenas de amizade. Negaram também irregularidades.

Em cerca de 20 anos, Willer passou de dono de uma loja de computador em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal, em 1999, para um empreendedor em série, com empresas de radiodifusão, escritório especializado em precatórios, mineração, turismo, apostas online e sociedades com senadores, como Dr. Hiran (PP-RR) e Lobão Filho (MDB-MA).

A aproximação entre Flávio e o advogado teve início em 2019, quando Willer defendeu o ex-ministro do turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, em uma denúncia por uso de candidaturas laranjas. Na CPI da Covid em 2021, aparece a primeira gravação em que Flávio chama o advogado de amigo.



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