A organização da F1 e o governo de Ruanda chegaram a um acordo para realizar um Grande Prêmio no país africano, embora a corrida não tenha previsão de acontecer antes de 2030, informou uma fonte a par das negociações.
O pequeno país do leste da África contaria com o apoio financeiro do Qatar para organizar um Grande Prêmio no continente, que não recebe uma corrida de Fórmula 1 desde o GP da África do Sul de 1993.
A nação da região dos Grandes Lagos tenta há anos organizar um Grande Prêmio, depois de já ter recorrido ao futebol, ao basquete e a outros esportes para tentar melhorar sua imagem e atrair investimentos
Ruanda ainda não dispõe de um circuito para sediar uma corrida do Mundial de F1, e sua construção deve ser cara.
Nenhuma das partes anunciou formalmente o acordo, mas uma fonte do governo do país o confirmou à AFP: “A candidatura de Ruanda para sediar a corrida de Fórmula 1 recebeu sinal verde; um acordo foi alcançado”.
Outra fonte próxima à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) , que regulamenta o campeonato mundial da categoria, informou que uma coletiva de imprensa será realizada na próxima semana na capital ruandesa, Kigali, para oficializar o anúncio.
O presidente Paul Kagame anunciou formalmente a candidatura quando Ruanda sediou uma reunião da FIA, em dezembro de 2024.
Uma das grandes estrelas do grid, Lewis Hamilton, sete vezes campeão mundial da categoria, defendeu em várias ocasiões a realização de um Grande Prêmio em Ruanda.
País pobre e sem saída para o mar, situado no leste da África e ainda amplamente associado ao genocídio de 1994, Ruanda tem recorrido a diversos esportes para renovar sua imagem, atrair turistas e captar investimentos, projetando uma imagem de eficiência organizacional.
O país gastou quantias consideráveis em acordos de patrocínio no futebol com clubes como PSG, Atlético de Madrid e Aston Villa para promover o turismo, além de uma parceria com o Los Angeles Clippers, da NBA.
No ano passado, organizou o Campeonato Mundial de Ciclismo, o primeiro disputado em um país africano.
No entanto, os críticos do regime de Kagame, reeleito no ano passado para um quarto mandato com 99,18% dos votos, acusam-no de governar o país com mão de ferro e de usar eventos esportivos para desviar a atenção de denúncias de graves violações dos direitos humanos, incluindo uma dura repressão contra qualquer oposição ou voz dissidente.
Após a divulgação da notícia, vários internautas questionaram se seria adequado realizar uma corrida de F1 em um dos países mais pobres do mundo.
Ruanda é um país montanhoso um pouco menor que a Bélgica, que o colonizou na década de 1920 até sua independência, em 1962.
Sua história foi marcada pelo genocídio dos tutsis, em 1994, que deixou 800.000 mortos, em sua maioria integrantes dessa comunidade, mas também hutus moderados.
A África do Sul também apresentou candidatura para sediar uma corrida de F1, e seu ministro dos Esportes, Gayton McKenzie, ressaltou, em uma publicação no X, que a candidatura de seu país não deveria ser descartada apenas porque Ruanda foi selecionada.
