O contador exerce papel importante na organização financeira, tributária e contábil de uma empresa, mas algumas decisões precisam continuar nas mãos do empresário. Escolhas relacionadas a clientes, preços, contratações, processos e estratégia dependem também do conhecimento que o dono tem sobre a operação e os objetivos do negócio.
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) também destaca que o contador pode atuar como parceiro estratégico dos pequenos negócios, fornecendo informações financeiras e análises para apoiar decisões. Isso, porém, não significa substituir o empresário na gestão da empresa.
1. Separar o dinheiro da empresa do dinheiro pessoal
A mistura entre as finanças pessoais e empresariais dificulta a identificação do lucro, do fluxo de caixa e da capacidade de investimento do negócio.
O Sebrae recomenda que o empreendedor mantenha separadas as contas da pessoa física e da pessoa jurídica. O controle permite conhecer com maior precisão as entradas e saídas da empresa e tomar decisões com base na realidade financeira do negócio.
O contador pode orientar sobre a organização contábil e tributária, mas cabe ao empresário estabelecer essa disciplina financeira no dia a dia.
2. Criar controles financeiros antes de o negócio evoluir
Planilhas improvisadas ou informações espalhadas podem até funcionar quando a operação é pequena, mas tendem a dificultar a gestão conforme o volume de vendas e despesas aumenta.
O fluxo de caixa permite acompanhar recebimentos, pagamentos e compromissos futuros. Segundo o Sebrae, a ferramenta ajuda o empresário a antecipar decisões, planejar investimentos, avaliar a necessidade de crédito e negociar prazos com fornecedores.
Por isso, o empresário não deve esperar uma crise de caixa para começar a acompanhar os números.
3. Contratar antes de a equipe chegar ao limite
Outro ponto é a contratação de funcionários. Esperar que a equipe esteja completamente sobrecarregada pode reduzir o tempo disponível para selecionar, treinar e integrar um novo profissional.
Por outro lado, contratar antes de existir demanda suficiente também gera custos. A decisão exige que o empresário acompanhe a operação e avalie produtividade, demanda e capacidade financeira.
4. Encerrar a relação com clientes que não são rentáveis
Nem todo cliente representa um bom negócio. Alguns podem exigir descontos frequentes, atrasar pagamentos, consumir tempo da equipe ou gerar margens muito baixas, que comprometem a rentabilidade.
O contador pode ajudar a identificar custos, margens e impactos financeiros, mas a decisão comercial depende do empresário, que precisa avaliar a relação com o cliente e os objetivos da empresa.
5. Padronizar processos ou criar automações
Em empresas pequenas, é comum que informações e procedimentos fiquem concentrados no fundador. O problema aparece quando o negócio cresce e outras pessoas precisam executar as mesmas atividades.
A falta de processos documentados pode gerar erros, diferenças na qualidade do atendimento e dependência excessiva de uma única pessoa. A padronização ajuda a preservar conhecimento e facilitar a expansão.
6. Reajustar preços
A definição de preços também não deve ser tratada apenas como uma questão contábil. O empresário precisa acompanhar custos, concorrência, percepção de valor e comportamento dos clientes.
O Sebrae destaca que a formação de preços precisa considerar os custos do negócio e ser suficiente para recuperar os gastos e manter a rentabilidade da empresa.
Adiar reajustes por muito tempo pode reduzir as margens e fazer com que uma correção futura seja maior.
7. Deixar de centralizar todas as decisões
No início da empresa, é comum que o dono participe de praticamente todas as atividades. Conforme a operação cresce, porém, a centralização pode se transformar em um obstáculo.
Se clientes, fornecedores e funcionários precisam constantemente da aprovação do empresário, a capacidade de crescimento fica limitada pela disponibilidade de uma única pessoa.
Delegar atividades e responsabilidades permite que o empresário concentre esforços em decisões estratégicas. O contador pode contribuir com informações e análises, mas a definição de prioridades, clientes, investimentos e modelo de gestão continua sendo uma responsabilidade do empreendedor.
Contador deve ser parceiro da gestão
As sete decisões mostram que o papel do contador não se limita ao cumprimento de obrigações. O CFC destaca a importância da atuação consultiva do profissional da contabilidade junto às micro e pequenas empresas, inclusive no apoio à gestão, à análise financeira e ao planejamento.
Ao mesmo tempo, informações contábeis só produzem resultados quando são utilizadas pelo empresário na gestão. O Sebrae ressalta que o controle financeiro oferece uma visão do presente e do futuro da empresa e fornece subsídios para decisões como investimentos, crédito e negociação com fornecedores.
Assim, a relação entre empresário e contador tende a ser mais eficiente quando o profissional contábil fornece dados, análises e orientação técnica, enquanto o empresário participa das decisões que envolvem a operação, os clientes, a equipe e a estratégia do negócio.
Com informações do CFC e Sebrae
