Após assinar na sexta-feira (25) a MP (Medida Provisória) que vetou as operações das bets no Brasil, o governo federal deve promover na próxima semana uma reunião com os clubes do Campeonato Brasileiro para tratar dos potenciais impactos que a medida acarretará para as finanças das agremiações. Dos 20 clubes da Série A, 14 tem patrocínio de empresas de apostas esportivas.
“Por determinação do presidente Lula, vamos chamar tanto os clubes de futebol quanto as confederações para entender qual é o real impacto”, declarou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, após a cerimônia de anúncio de proibição das bets no país.
Ele acrescentou que eventuais medidas de socorro financeiro serão decididas somente após o encontro. “Caso seja necessário, caso essa seja a avaliação do governo, vamos adotar uma medida na sequência”, afirmou o ministro.
Na semana passada, quando começou a ganhar força no mercado os rumores sobre o veto das bets, os clubes chegaram a divulgar um manifesto em conjunto intitulado “O fim do futebol brasileiro”.
“Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país”, dizia trecho do manifesto.
Apesar dos protestos, as receitas oriundas das empresas de apostas online representam uma parte menor dentro dos orçamentos das principais equipes do país.
Em 2025, o patrocínio somado das bets aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro somou cerca de R$ 1,03 bilhão, um crescimento de aproximadamente 66% em relação ao valor de R$ 618 milhões que havia sido aportado pelas empresas do setor no ano anterior, de acordo com levantamento da consultoria Convocados.
Ainda assim, o montante injetado pelas bets representou apenas 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos times que compunham a elite do futebol brasileiro no ano passado.
Após o governo oficializar a decisão, a maioria dos clubes da Série A patrocinados pelas empresas de apostas online optou pelo silêncio até o momento.
Na avaliação de juristas consultados pela Folha, os cenários mais prováveis hoje apontam para as rescisões dos contratos milionários firmados ao longo dos últimos anos, com a possibilidade de as agremiações esportivas cobrarem o governo judicialmente pelas perdas financeiras que poderão sofrer.
Entre os quatro grandes times paulistas na elite do futebol brasileiro, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos informaram que não vão se pronunciar por enquanto.
Executivo responsável pelas operações da Sportingbet na América Latina, Antonio Forjaz também preferiu ainda não cravar qual será o desfecho da parceria de patrocínio máster que a empresa mantém com Palmeiras e Vasco.
Ele indicou ainda nutrir a esperança por uma possível reversão da proibição das bets no Brasil ao longo das próximas semanas.
“Admito que foi com alguma surpresa [que recebeu a decisão do governo]. A gente sabia que viria uma Medida Provisória, sabia que ela traria algum tipo de limitação ao nosso mercado, mas nunca pensamos que a situação fosse acabar num lugar de proibição total do nosso mercado e a impossibilitação dessa indústria, que foi regulada há 1,5 ano”, afirmou Forjaz.
