Horas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar a MP (Medida Provisória) que vetou as operações das bets no mercado brasileiro, as grandes empresas do setor ainda tentam entender quais serão os próximos passos a serem tomados no país.
Executivo responsável pelas operações da Sportingbet na América Latina, Antonio Forjaz preferiu ainda não cravar qual será o desfecho da parceria de patrocínio máster que a empresa mantém com Palmeiras e Vasco no futebol brasileiro.
Ele indicou ainda nutrir a esperança por uma possível reversão da proibição das bets no Brasil ao longo das próximas semanas.
“Admito que foi com alguma surpresa [que recebeu a decisão do governo]. A gente sabia que viria uma Medida Provisória, sabia que ela traria algum tipo de limitação ao nosso mercado, mas nunca pensamos que a situação fosse acabar num lugar de proibição total do nosso mercado e a impossibilitação dessa indústria, que foi regulada há 1,5 ano”, afirmou Forjaz à Folha.
“Fica difícil compreender como é que as pessoas acabam mais protegidas por uma proibição, quando entendemos que existem muito mais riscos associados a um mercado ilegal em comparação ao mercado regulado”, acrescentou o executivo.
Em relação aos acordos com Palmeiras e Vasco, Forjaz disse que a Sportingbet vem mantendo conversas próximas com os dois clubes, sem uma definição a respeito do futuro dos contratos até o momento.
“As conversas estão andando. O Palmeiras e o Vasco são parceiros, clubes em que a gente acredita. Construímos projetos e acordos de longo prazo exatamente por conta disso”, afirmou o chefe da bet na América Latina.
A Sportingbet fechou acordo com o alviverde em janeiro de 2025, válido por três anos, e que rende cerca de R$ 100 milhões fixos ao clube paulista por ano. No caso do cruz-maltino, a operação foi selada em julho de 2026, válida até o fim de 2027, com previsão de R$ 40 milhões fixos aos cofres do clube anualmente.
“Obviamente tudo depende agora de como a gente consegue, ou não, reverter a situação para tentar encontrar um espaço de conformidade dentro do mercado no Brasil. Se seguirmos totalmente impossibilitados de operar no país, vamos conversar com os clubes e entender qual que é o melhor caminho, de modo a estarmos sempre em linha com a regulamentação e com as leis que forem aplicadas”, afirmou Forjaz.
“A parceria com os clubes existe sob a ótica de uma troca, de a gente poder ter o espaço nas camisas. Se somos impedidos de ter esse espaço, não sei como é que os nossos acordos, como estão hoje, poderiam funcionar”, disse ele.
“Mas, neste momento, estamos apenas focados em conversar e entender, junto com os times, e não em separado, qual será o melhor caminho e como a gente tenta continuar a apoiar esses clubes”, acrescentou.
Forjaz afirmou também que a Sportingbet “investiu centenas de milhões, para não falar mais”, para poder operar e fechar acordos de patrocínio no mercado brasileiro. “É uma quantidade significativa que realmente deixa de circular na economia brasileira.”
Ele estimou ainda que a empresa emprega diretamente no país cerca de 50 a 100 funcionários, mas com o ecosistema que engloba toda a operação chegando a aproximadamente 300 pessoas.
“Entendemos que o mercado no Brasil é regulado, que existe uma lógica e uma racionalização por trás desse mercado regulado, e vamos tentar entender junto aos órgãos responsáveis como é que a gente consegue encontrar um caminho para continuar a operar no Brasil”, disse o executivo.
“Uma Medida Provisória é isso, é uma medida provisória. Tem que ser aprovada, tem que passar pelo voto do Congresso. Há mecanismos e instrumentos judiciais e legislativos que a gente pode utilizar para tentar, de alguma forma, manter-se operacionais no Brasil”, acrescentou.
