Uma empresa pode apresentar lucro e, ainda assim, enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, impostos, salários e outras despesas. A situação ocorre porque lucro e disponibilidade de caixa são informações diferentes e dependem de momentos distintos da movimentação financeira do negócio.
Enquanto o lucro está relacionado ao resultado obtido pela empresa em determinado período, o fluxo de caixa acompanha as entradas e saídas efetivas de dinheiro. Segundo o Sebrae, esse controle permite conhecer a situação financeira do negócio e verificar a disponibilidade de recursos para cumprir os compromissos.
Por isso, uma empresa pode vender, registrar uma receita e apresentar resultado positivo, mas não ter o dinheiro correspondente disponível naquele momento.
Venda a prazo pode apertar o caixa
Um dos fatores que ajudam a explicar essa diferença são as vendas a prazo. Quando o cliente parcela uma compra, a empresa pode reconhecer a venda, mas receber o dinheiro somente posteriormente.
Se os compromissos do negócio vencem antes do recebimento das vendas, surge uma diferença entre o resultado da operação e o dinheiro disponível para pagamentos.
Por isso, acompanhar apenas o volume de vendas não é suficiente. A empresa também precisa saber quando os valores vendidos efetivamente entrarão no caixa.
Estoque também consome recursos
O estoque é outro ponto que precisa ser acompanhado. Dinheiro utilizado para comprar mercadorias fica aplicado nos produtos até que eles sejam vendidos e recebidos.
Quando há excesso de estoque ou produtos permanecem parados por muito tempo, parte dos recursos financeiros da empresa deixa de estar disponível para outras necessidades.
O controle do fluxo de caixa ajuda a visualizar essas movimentações e a planejar os recursos necessários para manter a operação.
Prazo de clientes e fornecedores
A diferença entre os prazos de recebimento e pagamento também pode provocar pressão sobre o caixa.
Se a empresa concede prazo longo aos clientes, mas precisa pagar fornecedores em períodos menores, pode haver um intervalo em que as obrigações vencem antes da entrada dos recursos das vendas.
Nesse cenário, mesmo com vendas e lucro, a empresa precisa de capital de giro suficiente para atravessar o período entre os pagamentos e os recebimentos.
Antecipação de recebíveis exige planejamento
A antecipação de recebíveis pode ser utilizada pelas empresas para obter recursos antes do prazo originalmente previsto para o recebimento das vendas.
Entretanto, essa operação altera o fluxo financeiro futuro e deve ser considerada no planejamento do caixa. A empresa precisa avaliar os valores que receberá antecipadamente e os custos envolvidos na operação.
Sem esse acompanhamento, a antecipação pode resolver uma necessidade imediata sem solucionar a origem do desequilíbrio financeiro.
Despesas futuras também precisam entrar no planejamento
Outro erro é considerar somente as despesas que já foram pagas. O planejamento financeiro precisa contemplar compromissos que ainda vencerão, como folha de pagamento, impostos, fornecedores e outras despesas recorrentes.
A projeção permite antecipar períodos de maior necessidade de recursos e avaliar se haverá dinheiro disponível para cumprir as obrigações.
Por isso, o fluxo de caixa não deve ser utilizado apenas para registrar o que já aconteceu. Ele também funciona como instrumento de planejamento.
Projeção de caixa ajuda a antecipar problemas
O Sebrae destaca a importância do fluxo de caixa para acompanhar as movimentações financeiras e conhecer a disponibilidade de capital de giro da empresa.
Na prática, a projeção permite estimar quanto dinheiro entrará e quanto será necessário desembolsar em determinado período. Com essas informações, o empresário consegue identificar antecipadamente possíveis períodos de falta de recursos.
A análise deve considerar as vendas previstas, os recebimentos, os pagamentos, as despesas e os demais compromissos financeiros do negócio.
Qual é o papel do contador?
O contador pode contribuir para identificar situações em que o resultado contábil da empresa não corresponde à disponibilidade financeira.
A análise conjunta das informações contábeis e do fluxo de caixa permite observar se o problema está relacionado, por exemplo, aos prazos de recebimento, ao estoque, ao nível de despesas ou à necessidade de capital de giro.
Para o empresário, essa visão ajuda a separar duas perguntas diferentes: a empresa está gerando resultado? Há dinheiro disponível para pagar os compromissos agora?
A resposta para uma delas não necessariamente será a mesma para a outra.
Lucro não substitui controle de caixa
O lucro é um indicador importante para avaliar o desempenho do negócio, mas não mostra sozinho quanto dinheiro está disponível para a empresa cumprir suas obrigações.
Por isso, acompanhar o fluxo de caixa, projetar entradas e saídas e observar os prazos de recebimento e pagamento são medidas importantes para evitar que um resultado positivo seja acompanhado por dificuldades financeiras.
A gestão adequada depende, portanto, da análise conjunta do resultado da empresa e da movimentação efetiva dos recursos.
Com informações da Agência Sebrae
