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Split Payment afeta capital de giro: como orientar empresas


Com a mudança na dinâmica de recolhimento dos tributos, empresas precisarão rever fluxo de caixa, prazos e fontes de financiamento. Para os escritórios contábeis, o desafio é antecipar esse impacto e orientar seus clientes antes que a pressão sobre o capital de giro apareça. A reforma tributária costuma ser associada a uma mudança na forma de calcular e recolher impostos. Para as empresas, os principais efeitos geralmente chegam ao caixa, área ainda mais sensível.

Com a implementação do split payment, o valor correspondente aos tributos será separado e enviado ao fisco automaticamente no momento da transação de compra/venda. Na prática, isso significa que uma parcela do pagamento realizado pelo cliente não ficará disponível para a empresa administrar, reduzindo o montante que efetivamente chegava ao seu caixa.

A mudança pode parecer simples do ponto de vista operacional, mas tem potencial para alterar a dinâmica financeira de empresas que dependem de capital de giro para manter suas atividades. É justamente nesse ponto que os escritórios de contabilidade, especialmente aqueles que atendem organizações de médio e grande porte, podem assumir uma função mais estratégica.

Impacto no capital de giro das empresas

Hoje, entre a venda e o recolhimento dos tributos, existe uma dinâmica financeira que permite que os recursos passem temporariamente pelo caixa da empresa, um valor que fica disponível para uso da empresa em períodos de 30 a 50 dias. Esse dinheiro ajuda a financiar folha de pagamento, fornecedores, estoques e outras despesas do fluxo da operação. Com o split payment, esse recurso deixa de estar disponível para essa gestão financeira.

Isso não significa que a empresa terá um aumento de carga tributária, mas o ponto é que o momento em que o dinheiro fica disponível para a operação muda. E, para empresas com ciclos financeiros longos, essa diferença pode ser relevante.

Uma companhia que vende a prazo, por exemplo, pode precisar desembolsar recursos para produzir e entregar um produto muito antes de receber integralmente do cliente. Se, durante esse processo, uma parcela dos valores pagos já for direcionada para o recolhimento dos tributos, haverá menos recursos próprios disponíveis para financiar o intervalo entre desembolso e recebimento.

O problema aparece no descasamento de prazos

É por isso que o impacto do split payment precisa ser analisado junto com o ciclo financeiro de cada empresa. Uma indústria que compra matéria-prima à vista, mantém estoque por determinado período e vende com prazo de 90 dias possui uma necessidade de capital de giro muito diferente daquela de uma empresa que recebe à vista e paga seus fornecedores posteriormente.

O mesmo vale para empresas que trabalham com vendas parceladas, contratos de longo prazo ou operações com grande volume de recebíveis. Nesses casos, uma redução relativamente pequena na disponibilidade imediata de caixa, quando multiplicada por um faturamento elevado, pode representar valores expressivos.

Por isso, não basta perguntar ao cliente quanto ele pagará de tributos. Escritórios de contabilidade e contadores devem ter o papel de ajudar a empresa a entender quanto dinheiro continuará disponível para financiar a operação e em que momento esse dinheiro estará no caixa.

A contabilidade precisa antecipar a necessidade de capital

Esse cenário amplia o espaço para uma atuação consultiva dos escritórios contábeis. A partir dos dados que já acompanham mensalmente, é possível projetar como a nova dinâmica pode afetar indicadores como necessidade de capital de giro, prazo médio de recebimento, prazo médio de pagamento e ciclo financeiro.

A análise também pode identificar quais clientes estão mais expostos. Empresas com crescimento acelerado, por exemplo, merecem atenção especial. Crescer significa aumentar vendas, estoques, produção e, muitas vezes, concessão de prazo aos clientes. Se o caixa disponível para financiar esse crescimento diminuir, a expansão pode exigir uma fonte adicional de recursos.

Planejamento deve vir antes da falta de caixa

O maior risco não está necessariamente na mudança em si, mas em perceber suas consequências somente quando a empresa precisar de dinheiro. Por isso, a recomendação aos clientes deve envolver simulações. Quanto será necessário financiar? Quais prazos poderiam ser renegociados? A política comercial continuará adequada? Existe concentração excessiva em vendas parceladas? A empresa terá recursos suficientes para acompanhar o crescimento?

Quando essas respostas apontam para uma necessidade adicional de caixa, também é possível avaliar antecipadamente alternativas de estruturas de crédito

Essa é uma dinâmica que a Multiplike acompanha de perto há mais de duas décadas. Especializada em crédito estruturado corporativo, a empresa já ultrapassou R$ 70 bilhões em crédito concedido e atende mais de 4 mil empresas por meio de uma estrutura que reúne securitizadora, FIDCs, gestora de recursos e instituição financeira. Essa experiência permite observar, na prática, como mudanças na dinâmica do caixa podem impactar decisões de crescimento, financiamento e capital de giro das empresas.

Uma oportunidade para os grandes escritórios

O split payment, portanto, pode representar uma mudança importante também para a relação entre empresas e seus contadores. O escritório que se limitar a explicar a nova regra tributária cumprirá uma função necessária, mas poderá perder a oportunidade de participar de uma discussão mais relevante para o cliente, como manter a operação financeiramente saudável diante de uma nova dinâmica de caixa.

Para grandes empresas, a contabilidade já reúne boa parte das informações necessárias para essa análise. O próximo passo é transformar esses dados em projeções e recomendações.

Mais do que preparar o cliente para uma mudança tributária, trata-se de ajudá-lo a preparar o próprio caixa. Afinal, em um ambiente no qual parte do dinheiro será direcionada antes de chegar à empresa, planejamento de capital de giro deixa de ser apenas uma questão financeira e passa a fazer parte da estratégia operacional.

Diante desse cenário, algumas contabilidades já estão se antecipando, seja orientando seus clientes sobre linhas de capital de giro estruturado, seja estabelecendo parcerias de conteúdo com empresas especializadas, como a Multiplike, para levar informação relevante à sua própria base de clientes. Conteúdos sobre capital de giro, crédito e os impactos das mudanças na dinâmica financeira podem ajudar a preparar as empresas antes que a necessidade de caixa apareça.

Se esse também é um movimento que sua contabilidade quer fazer e se tornar referência para seus clientes, fale com a Multiplike pelo WhatsApp. Podemos construir conteúdos em conjunto para levar informação prática e relevante aos seus clientes.





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