Brasília

Combate ao fumo: especialistas alertam para riscos dos vapes

Combate ao fumo: especialistas alertam para riscos dos vapes


Coloridos, com aromas adocicados e aparência moderna, os cigarros eletrônicos têm conquistado cada vez mais espaço entre crianças e adolescentes. Apesar de proibidos no Brasil, os chamados vapes se transformaram em um novo desafio no combate ao tabagismo e preocupam especialistas pelos riscos à saúde.

O epidemiologista e consultor médico da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff, alerta sobre os perigos no uso do dispositivo.

“O vape está longe de ser um produto inofensivo. Ele contém nicotina em altas concentrações. Esses dispositivos expõem as crianças a diversas substâncias tóxicas que podem provocar inflamação pulmonar grave, doenças cardiovasculares, câncer e outros danos à saúde. Muitos jovens começam pelo vape por acreditar que ele é mais seguro que o cigarro convencional, mas isso não é verdade. Por isso, é fundamental reforçar a prevenção e proteger as nossas crianças e adolescentes”.

O artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já prevê punição para quem vender ou fornecer a menores de idade produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica. Como os cigarros eletrônicos carregam substâncias altamente viciantes, áreas do Direito já aplicam o artigo de forma interpretativa para punir quem fornece esses aparelhos a crianças e adolescentes. No entanto, segundo especialistas, é preciso garantir que a legislação seja clara também em relação a esses dispositivos.

Alfredo Scaff ressalta que é urgente adotar medidas concretas de prevenção, fiscalização e proteção legal, garantindo que a legislação dificulte cada vez mais o acesso dos jovens aos novos produtos com nicotina.

“Embora o ECA já proteja as crianças e adolescentes contra produtos que possam causar dependência, os vapes não aparecem de forma explícita na lei, e essa atualização é super importante para fortalecer a proteção e facilitar a fiscalização. Incluir essa proteção de forma clara no estatuto reforça a prevenção e deixa uma mensagem inequívoca de que crianças e adolescentes devem ser protegidas da dependência da nicotina e dos riscos à saúde causados pelos cigarros eletrônicos”.

Um estudo recentemente do Colégio Real de Pediatria e Saúde Infantil da Inglaterra alerta que, além de problemas respiratórios, dependência de nicotina e maior probabilidade de iniciar o consumo de cigarros convencionais, o uso de vapes também pode estar associado a problemas de saúde bucal, além de sintomas e condições relacionadas a ansiedade e depressão.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 8 milhões de pessoas morrem, por ano, em decorrência do uso do tabaco. Neste sábado (29) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

No Rio de Janeiro, serão realizadas ações de saúde pública contra o vício. A programação conta com rodas de conversa, e atividades físicas, além da divulgação do Programa de Controle do Tabagismo, voltado para quem deseja parar de fumar,  seja cigarro convencional, eletrônico ou outros dispositivos, como explica o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado.

“Além do cigarro convencional, existem os dispositivos eletrônicos de fumar, que também trazem muitos riscos à saúde. O Programa de Controle do Tabagismo está presente em todas as 240 unidades de atenção primária da Prefeitura do Rio. O tratamento estimula hábitos de vida mais saudáveis e conta com diferentes estratégias terapêuticas, como consultas especializadas, grupos de apoio e tratamento odontológico. Se você é fumante e precisa de ajuda para parar de fumar, é só ir à até uma Clínica da Família e entrar no Programa de Controle do Tabagismo”.

Segundo especialistas, o tabagismo continua sendo uma das principais causas de morte evitável no mundo. Se você quer parar de fumar, lembre-se que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece tratamento gratuito e suporte psicológico e médico. Procure uma unidade de Atenção Primária mais próxima de sua residência para receber orientações e iniciar o tratamento. Para saber onde buscar atendimento na capital fluminense, basta acessar o portal prefeitura.rio/ondeseratendido.




Fonte GDF

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