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Mudanças no Simples podem custar R$ 50 bilhões à União


As mudanças em discussão para ampliar os limites de faturamento do Simples Nacional podem provocar uma renúncia de arrecadação de quase R$ 50 bilhões nos próximos dois anos, segundo estimativas da equipe econômica. O impacto fiscal é um dos principais pontos de resistência do governo à proposta que tramita na Câmara dos Deputados.

A discussão ocorre durante a análise de um Projeto de Lei Complementar (PLP), relatado pelo deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC). O texto originalmente trata da atualização do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), mas o relator defende que a correção também alcance as demais categorias do Simples Nacional.

Atualmente, o limite anual de faturamento do MEI é de R$ 81 mil. Para as microempresas, o teto é de R$ 360 mil, enquanto as empresas de pequeno porte podem faturar até R$ 4,8 milhões por ano. Esses valores estão sem atualização desde 2018.

Proposta amplia limite do Simples

A proposta em discussão pretende elevar de forma significativa os limites de faturamento para enquadramento no regime simplificado. A medida permitiria que um número maior de empresas permanecesse no Simples, sistema que reúne diversos tributos em uma única guia e, em determinadas situações, proporciona uma carga tributária menor.

O relator argumenta que a atualização das faixas é necessária para recompor a defasagem acumulada pela inflação e evitar distorções entre os pequenos negócios.

O governo, por outro lado, avalia que uma ampliação abrangente do regime produziria uma perda de arrecadação significativa. A estimativa considera não apenas a redução do valor pago pelas empresas que já estão no Simples, mas também a possibilidade de migração de empresas atualmente submetidas a regimes tributários mais onerosos.

Segundo informações divulgadas anteriormente sobre as negociações, uma das propostas defendidas pelo relator é elevar o teto anual das empresas de pequeno porte de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões. A Fazenda estima que essa alteração, isoladamente, poderia representar impacto de aproximadamente R$ 50 bilhões nos próximos dois anos.

Governo defende foco no MEI

Diante do impacto fiscal, o governo tem defendido que a mudança seja concentrada inicialmente no MEI, que reúne cerca de 17 milhões de empreendedores.

A ampliação das demais faixas do Simples seria discutida posteriormente, em uma proposta específica. A estratégia busca limitar o efeito sobre as contas públicas e evitar uma renúncia de receita considerada elevada pela equipe econômica.

Os parlamentares favoráveis à atualização mais ampla, entretanto, argumentam que corrigir apenas o teto do MEI poderia criar novas distorções dentro do próprio regime.

O debate também envolve estados e municípios, já que parte dos tributos recolhidos pelas empresas do Simples é compartilhada entre os diferentes níveis de governo. Dessa forma, uma alteração nas faixas de faturamento não afetaria somente a arrecadação federal.

Impacto para pequenas empresas

Para os defensores da mudança, a atualização dos limites poderia acompanhar a realidade econômica atual e permitir que empresas continuem enquadradas no regime mesmo após o crescimento do faturamento.

O argumento é que os limites permanecem congelados desde 2018, enquanto custos, preços e receitas dos negócios aumentaram ao longo dos últimos anos. A correção também poderia reduzir situações em que uma empresa ultrapassa o teto do Simples por uma margem relativamente pequena e passa a enfrentar uma estrutura tributária mais complexa.

Já a equipe econômica considera que a ampliação pode provocar uma redução efetiva da arrecadação, principalmente pela entrada de empresas maiores em um regime com tributação favorecida.

Discussão ainda não tem acordo

O formato final da proposta ainda está em negociação entre o relator e o governo. A resistência do Executivo está concentrada principalmente no impacto fiscal de ampliar os limites para todas as empresas do Simples.

Enquanto isso, o debate sobre o novo teto do MEI segue separado da discussão sobre as demais faixas do regime.

Para empresas e profissionais da área contábil, a eventual aprovação de mudanças nos limites poderá exigir a revisão do planejamento tributário e da projeção de faturamento dos pequenos negócios, especialmente daqueles que estão próximos dos atuais tetos de enquadramento.

Com informações do Metrópoles





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