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IA dispara nas empresas e o cibercrime já está pronto para explorar essa nova brecha


A inteligência artificial está conquistando espaço dentro das empresas em uma velocidade impressionante. Mas, enquanto os controladores correm para incorporar novas ferramentas aos negócios, criminosos também estão acelerando e utilizando IA e automação para transformar o cibercrime em uma verdadeira indústria.

Um novo alerta mostra o tamanho dessa escalada, o relatório Threat Landscape Report 2026, publicado pela Infoblox, analisou informações coletadas entre junho de 2025 e junho de 2026 e revelou um cenário preocupante: o número de grupos de ransomware aumentou 67% em apenas um ano, enquanto os clusters de ameaças cresceram 97%.

Os números apontam para uma combinação perigosa: de um lado, empresas adotando IA em ritmo acelerado; do outro, criminosos aprimorando continuamente suas técnicas de ataque.

E existe um dado que chama ainda mais atenção: as chamadas de DNS para aplicações de inteligência artificial cresceram 158% no período, isso significa que a utilização corporativa desses serviços avançou rapidamente e, junto com ela, também cresce a superfície de ataque que precisa ser protegida.

O PROBLEMA NÃO É APENAS A IA. É O QUE ESTÁ SENDO COLOCADO DENTRO DELA

A expansão das ferramentas de inteligência artificial traz uma questão que os controladores não podem mais tratar como secundária: o que os empregados estão inserindo nessas plataformas?

Informações estratégicas, documentos internos, dados de clientes, dados de empregados, contratos e outros conteúdos podem acabar sendo enviados para ferramentas de IA sem que exista uma avaliação adequada dos riscos.

É justamente nesse ponto que segurança da informação e proteção de dados pessoais passam a caminhar lado a lado.

Não basta simplesmente disponibilizar uma ferramenta de IA e esperar que os empregados saibam utilizá-la corretamente.

É necessário estabelecer regras, controles, processos e, principalmente, treinamento.

A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados precisa acompanhar essa nova realidade tecnológica, especialmente porque o uso inadequado da IA pode ampliar a exposição de dados pessoais e criar novos riscos para os controladores.

Mais de 120 milhões de domínios analisados e um alerta assustador foi disparado

A equipe de inteligência de ameaças da Infoblox identificou outro dado preocupante.

Dos mais de 120 milhões de domínios recém-registrados analisados, 22% foram classificados como maliciosos ou apresentaram características associadas a ameaças.

E a velocidade com que essa infraestrutura criminosa desaparece dificulta ainda mais sua identificação.

Segundo o levantamento, 44% dos domínios relacionados a ameaças permaneceram ativos por apenas um dia.

Para os criminosos, a estratégia é clara: criar, atacar e desaparecer rapidamente, dificultando a detecção e a reação das vítimas.

Enquanto isso, as empresas precisam lidar com uma superfície digital cada vez maior e mais complexa.

Enquanto sua empresa fica em processos e reuniões estratégicas, o cibercrime está se profissionalizando.

O relatório mostra que os ataques não estão apenas aumentando em quantidade. Eles também estão se tornando mais sofisticados.

Entre os exemplos citados está o Penguin, um marketplace de crime-as-a-service que oferece infraestrutura para esquemas de “pig butchering” e outras modalidades de fraude online.

Pig butchering é uma fraude financeira de longo prazo que combina manipulação emocional, muitas vezes por meio de falsos romances criados em redes sociais ou aplicativos de mensagens.

Outro caso é o FaiKast, um cluster de atores que utiliza deepfakes produzidos com inteligência artificial para atrair vítimas para plataformas fraudulentas de investimentos.

A IA, portanto, não está sendo utilizada exclusivamente para produtividade, automação e inovação, mas para fraudes em números assustadoramente crescentes.

A IA também está sendo transformada em ferramenta para enganar, manipular e atacar.

E o problema não termina nos computadores corporativos.

A Infoblox observou o crescimento de ataques contra dispositivos móveis, incluindo campanhas de smishing destinadas ao roubo de iPhones e operações envolvendo trojans bancários para Android capazes de capturar dados biométricos e códigos OTP.

GOLPES AUMENTAM E O PHISHING FICA CADA VEZ MAIS DIFÍCIL DE IDENTIFICAR

Outro indicador preocupante é o crescimento de 62% nos domínios relacionados a golpes.

Além disso, 71% dos incidentes de phishing analisados envolviam URLs que não apresentavam qualquer referência à marca no domínio.

Nesse modelo, os criminosos não dependem necessariamente de copiar o endereço da empresa. Eles apostam principalmente na aparência da página para convencer a vítima de que está diante de um ambiente legítimo.

A Infoblox também identificou o uso abusivo de redes residenciais, infraestrutura de telecomunicações e até do namespace.arpa como mecanismos utilizados para esconder atividades maliciosas.

O cenário deixa uma mensagem evidente: confiar apenas na percepção humana para identificar ameaças já não é suficiente.

O EMPREGADO PODE SER A PORTA DE ENTRADA E A IA PODE AMPLIAR O PROBLEMA

É nesse cenário que o treinamento dos empregados ganha uma importância que vai muito além de uma simples orientação de segurança.

Não adianta o controlador investir em tecnologia de proteção se as pessoas que utilizam diariamente sistemas, plataformas e ferramentas de IA não sabem reconhecer os riscos.

Um empregado despreparado pode transformar uma ferramenta criada para aumentar a produtividade em um novo ponto de exposição para dados pessoais e informações corporativas.

Por isso, as empresas precisam estabelecer uma política clara para utilização da inteligência artificial, definir o que pode e o que não pode ser inserido nessas ferramentas e capacitar continuamente seus empregados.

O treinamento precisa abordar, entre outros aspectos, proteção de dados pessoais, segurança da informação, phishing, engenharia social, compartilhamento indevido de informações e uso responsável da IA.

A conscientização não pode ser tratada como uma ação isolada. Ela precisa fazer parte da estratégia permanente de proteção do controlador.

DEFESA PRECISA COMEÇAR ANTES DO ATAQUE

A Infoblox recomenda uma estratégia preemptiva estruturada em quatro pilares:

  1. DNS preventivo;
  2. proteção de risco digital;
  3. gerenciamento da superfície de ataque externa;
  4. inventário de ativos e aplicações.

Segundo a empresa, aproximadamente 90% dos domínios relacionados a ameaças foram identificados antes de qualquer interação com a rede do cliente.

O lead time médio chegou a 68 dias, enquanto a taxa de falsos positivos registrada foi de apenas 0,0002%.

A mensagem para as empresas é direta: esperar o ataque acontecer para depois agir pode ser tarde demais.

A expansão da IA está acontecendo agora. O cibercrime também.

E, diante desse cenário, adequar processos, proteger dados pessoais, estabelecer controles e treinar empregados para o uso seguro da inteligência artificial deixou de ser uma iniciativa opcional ou meramente tecnológica.

É uma necessidade estratégica para qualquer controlador que queira reduzir sua exposição em um ambiente digital cada vez mais agressivo.

A pergunta já não é se a inteligência artificial será utilizada dentro das empresas.

A pergunta é: quando ela é utilizada sem controle, quem está preparado para impedir que ela se transforme na próxima porta de entrada para um incidente de segurança?





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