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PMEs devem acelerar adaptação, aponta estudo


Cerca de 2 milhões de pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras precisarão acelerar sua preparação para a transição da reforma tributária. É o que aponta o levantamento Radar Setorial da Reforma Tributária, estudo da Omie, que analisou o impacto das novas regras em 76 segmentos da economia e identificou 26 atividades com alta prioridade de adaptação ao novo modelo de tributação sobre o consumo.

Juntas, essas empresas respondem por aproximadamente 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e empregam cerca de 10 milhões de trabalhadores, evidenciando o potencial impacto das mudanças na economia.

Segundo o levantamento, a maior exposição não significa necessariamente aumento da carga tributária, mas indica que esses segmentos precisarão revisar processos, sistemas e estratégias para se adequar ao novo ambiente tributário.

Estudo identifica 26 segmentos prioritários

A pesquisa avaliou o grau de exposição dos diferentes setores econômicos durante a fase de transição da reforma tributária.

Para isso, foram considerados fatores como:

  1. fluxo financeiro das empresas;
  2. sensibilidade às alterações na carga tributária;
  3. complexidade operacional para adaptação ao novo sistema;
  4. impacto da ampliação do mecanismo de créditos tributários previsto no IVA dual.

Com base nesses critérios, 26 segmentos foram classificados como de alta prioridade para adaptação, exigindo planejamento antecipado para reduzir riscos durante a implementação das novas regras.

Entre os setores mais expostos estão:

  1. descontaminação e serviços de gestão de resíduos;
  2. fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos;
  3. atividades de apoio à extração de minerais.

O estudo também chama atenção para as empresas optantes pelo Simples Nacional, especialmente aquelas que atuam em atividades como:

  1. serviços especializados para construção;
  2. transporte terrestre.

Esses contribuintes deverão avaliar cuidadosamente os impactos da reforma tributária, principalmente diante da possibilidade de optar pelo chamado Simples Nacional híbrido, modelo criado pela Lei Complementar nº 214/2025.

Nesse regime, a empresa continua recolhendo parte dos tributos pelo Simples Nacional, mas passa a recolher IBS e CBS fora do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), permitindo o aproveitamento integral de créditos tributários pelos clientes.

A escolha entre permanecer no modelo tradicional ou migrar para o regime híbrido será um dos principais desafios das empresas durante a transição.

Preparação vai além da carga tributária

De acordo com o estudo, a adaptação não deve se limitar ao cálculo dos tributos.

As empresas também precisarão revisar:

  1. estrutura de custos;
  2. cadeia de fornecedores;
  3. perfil da carteira de clientes;
  4. processos internos;
  5. parametrização dos sistemas de gestão (ERPs).

A ampliação do sistema de créditos tributários prevista pela reforma tende a tornar o relacionamento comercial entre empresas um fator ainda mais relevante para a competitividade.

Papel estratégico dos contadores

Diante desse cenário, o levantamento destaca que os profissionais da contabilidade terão papel cada vez mais consultivo.

Além do cumprimento das obrigações fiscais, caberá aos escritórios contábeis apoiar seus clientes na realização de simulações, avaliação dos impactos financeiros e definição do regime tributário mais vantajoso durante a transição.

A expectativa é que decisões tomadas ainda em 2026 influenciem diretamente a competitividade e o fluxo de caixa das empresas nos próximos anos, especialmente com o avanço da implementação do IBS e da CBS.





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