terça-feira 7, julho, 2026 - 10:25

Saúde

Emagrecimento rápido aumenta o risco de pedras na vesícula

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A busca pelo emagrecimento acelerado, seja por meio de dietas restritivas, cirurgia bariátrica ou medicamentos para perda de peso, exige acompanhamento médico. Além de desafios nutricionais, uma das complicações conhecidas é o aumento do risco de formação de pedras na vesícula, condição que pode permanecer silenciosa ou evoluir para quadros que exigem cirurgia.

Especialistas explicam que o principal fator associado ao problema não é necessariamente o método utilizado para emagrecer, mas a velocidade com que o peso é perdido. Quanto mais rápida e expressiva for a redução, maior tende a ser o risco de desenvolver cálculos biliares.

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O que acontece com a vesícula durante o emagrecimento?

Segundo a gastroenterologista Cláudia Machado, do Hospital da Bahia, o emagrecimento acelerado altera o funcionamento da vesícula e a composição da bile, criando um ambiente favorável à formação de cálculos.

Durante a perda rápida de gordura corporal, o organismo libera grande quantidade de colesterol, que é eliminado pelo fígado e passa a compor a bile. Ao mesmo tempo, dietas muito restritivas, principalmente pobres em gordura, fazem com que a vesícula se contraia menos, deixando a bile parada por mais tempo.

“Não é apenas o emagrecimento em si, mas principalmente a velocidade da perda de peso que aumenta o risco de formação de cálculos biliares”, afirma Cláudia.

De acordo com a médica, o risco costuma ser maior quando a perda ultrapassa cerca de 1,5 quilo por semana ou representa uma redução muito significativa do peso corporal em pouco tempo.

Ela ressalta que tanto pacientes submetidos à cirurgia bariátrica quanto aqueles que utilizam medicamentos para obesidade podem apresentar maior incidência do problema justamente porque esses tratamentos costumam promover emagrecimento mais intenso.

“Manter uma pequena quantidade de gorduras saudáveis na alimentação ajuda a estimular o esvaziamento da vesícula e pode reduzir a estagnação da bile”, explica a gastroenterologista.

Bariátrica e medicamentos favorecem os cálculos?

Para a endocrinologista Cristina Khawalli, do Delboni, em São Paulo, a associação entre emagrecimento rápido e pedras na vesícula é amplamente conhecida pela medicina e envolve diferentes mecanismos fisiológicos.

Ela explica que, durante a intensa quebra de gordura corporal, há aumento da quantidade de colesterol eliminada na bile. Além disso, a menor ingestão de alimentos reduz o estímulo para contração da vesícula, favorecendo a permanência da bile no órgão e a formação de cristais que dão origem aos cálculos.

Segundo a endocrinologista, estudos também mostram maior frequência de colelitíase em pacientes que utilizam agonistas do GLP-1 de alta potência, como semaglutida e tirzepatida. No entanto, o principal responsável continua sendo a magnitude e a velocidade do emagrecimento, e não necessariamente o medicamento.

“O problema não parece estar relacionado exclusivamente ao fármaco, mas principalmente com a rapidez e a intensidade da perda de peso”, destaca Cristina.

Ela acrescenta que pessoas com obesidade já apresentam risco aumentado para cálculos biliares e que pessoas com lama biliar ou pedras pré-existentes têm ainda mais chance de desenvolver o quadro.

“O tratamento deve ser individualizado. Em geral, uma perda de aproximadamente 0,5 a 1 kg por semana tende a ser uma estratégia mais segura para minimizar complicações”, afirma.

Quais sinais merecem atenção?

Na maioria dos casos, as pedras na vesícula não provocam sintomas e são descobertas em exames de rotina. Quando surgem manifestações, o quadro pode incluir dor intensa na parte superior direita do abdômen, principalmente após refeições gordurosas, além de náuseas e vômitos.

Em situações mais graves, os cálculos podem obstruir a saída da vesícula ou migrar para os ductos biliares, causando inflamação da vesícula (colecistite), pancreatite ou obstrução das vias biliares, que também pode provocar pele e olhos amarelados e urina escura.

Para reduzir o risco, as especialistas recomendam evitar dietas extremamente restritivas, promover uma perda de peso gradual, manter acompanhamento multiprofissional, praticar atividade física regularmente e adotar uma alimentação equilibrada, com consumo adequado de gorduras saudáveis, conforme orientação médica ou nutricional.



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