A Copa do Mundo ainda está longe de definir o campeão, porém já apontou, no momento em que está na sua metade, um grande perdedor: a Ásia.
O continente é a grande decepção deste Mundial. Classificaram-se, da região, oito países para a competição na América do Norte: Coreia do Sul, Japão, Jordânia, Qatar, Iraque, Irã, Arábia Saudita e Uzbequistão.
Sete naufragaram logo na fase de grupos. A única que passou para o primeiro mata-mata foi o Japão, que até endureceu a partida contra a seleção brasileira, porém acabou derrotado e, consequentemente, eliminado.
Assim, em uma Copa inchada em participantes (48) e em tempo (36 dias), o continente asiático sumiu dela com menos da metade da duração da competição.
Passados 16 dias, não há Japão, Coreia (Ásia Oriental), Uzbequistão (Ásia Central) ou o restante (todos do Oriente Médio) na disputa para contar história.
Com exceção feita ao Japão, que mostrou um futebol competitivo (goleada na Tunísia e empates com Holanda e Suécia) e deu adeus ao Mundial no finalzinho da partida contra o Brasil (o gol de Martinelli que evitou a prorrogação saiu nos acréscimos do segundo tempo), o desencanto é geral com os asiáticos.
E pode ser medido em níveis de ruindade.
Zeraram em pontos, não conseguindo um empate sequer, três seleções: Iraque e as estreantes Jordânia e Uzbequistão. Iraquianos e jordanianos chegaram à rodada final da fase de grupos já eliminados.
Os uzbeques ainda podiam obter a vaga matematicamente, porém, depois de terem tomado uma sova de 5 a 0 de Portugal de Cristiano Ronaldo, precisavam de uma goleada por sete gols de diferença diante da República Democrática do Congo para entrar como um dos melhores terceiros colocados. Perderam de 3 a 1.
O Qatar, sede da Copa de 2022, quando perdeu suas três partidas e terminou em 32º e último lugar, até evoluiu na de 2026. Conseguiu um pontinho, com o 1 a 1 na estreia, ao marcar nos acréscimos do segundo tempo diante da Suíça.
Um belo gol, de cabeça, do capitão Khoukhi, que, inexplicavelmente, a Fifa registrou como sendo contra. Vi e revi o gol e não me convenci por nenhum ângulo de que foi o zagueiro suíço a cabecear contra a própria meta –se tivesse sido ele, deveria ter sido marcada falta de ataque. Resumo: nem isso de positivo ficou registrado para os qatarianos.
A Arábia Saudita, que em 2022 propiciou uma das maiores zebras de todas as Copas ao ganhar por 2 a 1 da Argentina de Messi (que depois se sagraria campeã), parou na primeira fase com dois empates e uma derrota (4 a 0 para a Espanha). Para se classificar, bastava na última rodada derrotar Cabo Verde, calouro em Mundial. Jogou pior no 0 a 0, merecia ter perdido.
A Coreia do Sul foi a única, além do Japão, a ganhar um jogo: 2 a 1 na República Tcheca, na estreia. Depois, derrotas por 1 a 0 para México e África do Sul, com um futebol pobre, tiraram a chance de classificação, desencadeando na demissão do treinador e em um pedido público de desculpas do craque da equipe, Son Heung-min.
Por fim, o Irã, malquisto pelos EUA (um dos anfitriões desta Copa), devido à guerra entre os países, deu adeus sem perder –e com toques de crueldade.
Os iranianos tiveram o gol da vitória sobre o Egito anulado por um impedimento milimétrico. Mesmo assim, passariam se houvesse um ganhador em Argélia x Áustria. A Argélia fez 3 a 2 nos acréscimos no segundo tempo, só que, na última jogada da partida, a Áustria empatou.
Cada caso, uma desgraça. Em comum, um fato: as seleções baseadas na Ásia estão em condição bem inferior às de outras áreas, especialmente na comparação com Europa, África e América do Sul.
Falta, a meu ver, qualidade no pé de obra, o que só poderá melhorar com maior intercâmbio com a Europa. Poucos atletas, na comparação com África e América do Sul, estão nos melhores campeonatos no velho continente. Atuam em nível pior. Isso faz muita diferença.
Aí chega-se a um dilema para que o quadro mude. É preciso ter mais jogadores atuando nas grandes vitrines para que esses mesmos jogadores melhorem, porém as grandes vitrines querem contratar jogadores que já sejam bons, o que é um impedimento para os asiáticos.
A falta de talento torna-se entrave à evolução. E, sem evolução, a Copa mostra o resultado.

