segunda-feira 29, junho, 2026 - 20:03

Esporte

Superstição ganha jogo? Melhor não arriscar – 29/06/2026 – Hanuska Bertoia

Na estreia do Brasil na Copa, meu marido surgiu com uma amarelinha do Mundial passado e p

image_printImprimir


Na estreia do Brasil na Copa, meu marido surgiu com uma amarelinha do Mundial passado e perguntou: “Acha que uso a camisa de 2022?”. “Você sabe que não sou supersticiosa, mas quando se trata de futebol, não me arrisco”, respondi. E é isso mesmo.


Já usei uma jaqueta em pleno verão na final de uma Libertadores porque meu time venceu partidas do torneio, ainda nos dias frios, quando eu estava com ela. Deu certo. Procuro sempre estar com a mesma camisa quando vou ao estádio ver a equipe jogar. Melhor não arriscar.

Sem falar em supersticiosos famosos, como Zagallo e sua fixação pelo número 13.

Fiquei pensando nisso e resolvi investigar de onde veio minha, digamos, tendência às superstições no futebol: de 1982, a primeira Copa de que me lembro. Naquele ano, todos os jogos eram uma festa aos olhos de uma menina de 10 anos.

Em cada partida, um grupo de amigos de meus pais se reunia na casa de um deles, com toda a criançada. Barulho, comemoração, comida, todo mundo feliz. E em todos os jogos, minha mãe sempre vestia a mesma roupa: um conjunto de calça e blazer verde.

Na segunda fase, o Brasil venceu a Argentina por 3 a 1. Os adultos ficaram eufóricos! Nada poderia deter a seleção brasileira. Depois do jogo, as famílias foram para um bar. A festa foi tanta que chamaram a polícia. E minha mãe sempre com a roupa verde.

No jogo seguinte, o Brasil enfrentou a Itália. Por algum motivo que não lembro, não houve reunião das famílias. Na minha casa, estávamos eu, minha irmã, meu pai e minha mãe.


Ela não vestiu o terninho verde. Deixou a roupa pendurada em um cabide na sala. É claro que o Brasil não venceria! Ainda torci sozinha por um gol com o potente chute de Éder, na cobrança de uma falta, mas foi inútil. A roupa no cabide havia sentenciado o destino da seleção. Não resistimos a Paolo Rossi: 3 x 2 para a Itália.

Nas Copas seguintes, torci, mas sem me prender às “superstições”. Deixei dormente uma sensação que voltou em 1994, o primeiro título mundial que testemunhei. Na final, não vi os pênaltis.

Fiquei em uma sala separada de onde meus amigos acompanhavam o jogo e, a cada cobrança, voltava para comemorar o resultado. Brasil tetracampeão.

A partir de então, deixei de ver os pênaltis quando meu time do coração disputava um título ou alguma partida importante. E, em geral, sempre funcionou. Como disse, não sou supersticiosa, mas é melhor não arriscar.

A partir de 1998, sempre estive em redações durante as Copas. Não tenho seguido rotinas, sempre à mercê dos jogos. Com exceção de 2002. Naquele Mundial, comprei uma camisa após a vitória da seleção sobre a Inglaterra. Passei a usá-la e deu certo até o final.

Voltando à conversa do início do texto: neste ano, em cada jogo usamos uma roupa diferente, em uma circunstância diferente.


Confesso que nesta segunda-feira (29) estava mais assombrada com a previsão do chamado “guru da Copa”, o economista Joachim Klement. Ele, que acertou todos os campeões mundiais desde 2014, disse que o Brasil perderia para o Japão.

Quando a equipe japonesa fez o primeiro gol, se desenhou a previsão. Mas felizmente nem sempre guru acerta. Então, no próximo domingo (5), nas oitavas, contra Costa do Marfim ou Noruega, seguirei sem repetir roupas e situações.

Talvez a falta de padrão seja o meu padrão nesta Copa. Não vou arriscar.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte da Notícia

Leave A Comment