sexta-feira 12, junho, 2026 - 19:28

Esporte

Uma Copa do Mundo diferente em cada um dos países – 10/06/2026 – PVC

A chegada ao México é completamente diferente dos primeiros dias de Copa nos Estados Un

image_printImprimir


A chegada ao México é completamente diferente dos primeiros dias de Copa nos Estados Unidos. Em Nova Jersey, havia bandeiras dos países participantes no saguão do aeroporto de Newark mas nem sombra de Mundial pelas ruas.

No México, um guichê exclusivo para credenciados pela Fifa recepciona as delegações na imigração. O funcionário do governo fala de futebol e os taxistas têm uma camiseta da seleção de seu país no carro.

Não é uma Copa em três países. São três Copas distintas em três países completamente separados.

O verdadeiro muro de Trump foi erguido ao realizar o Mundial em realidades tão diferentes. Insípida no Canadá, inodora nos Estados Unidos, colorida no México.

Na sede da abertura da Copa do Mundo, há protestos de professores, medidas cautelares para permitir que vendedores de comida entrem no estádio Azteca e ruas bloqueadas por obras prometidas e não entregues.

Há também felicidade de parte da população por receber de novo a maior festa do futebol do planeta. “Temos orgulho de nossa bandeira, temos vergonha de nossos governantes”, disse o taxista Gregorio Gil.

O estádio Azteca recebeu investimentos de US$ 180 milhões (R$ 950 milhões). Há dinheiro público, mas a administração do palco é particular.

Desde a década de 1990, a Televisa é a proprietária do Azteca. A organização cabe ao grupo Ollamani, que pertence ao conglomerado da Televisa, a maior emissora de TV do país.

A presidente do México, Claudia Scheinbaum, não vai à cerimônia de abertura com medo das vaias. O México não tem expectativa de sucesso, apesar de ter chegado duas vezes às quartas de final em 17 participações. As duas quando foi país sede.

Só que, para jogar os mata-matas em casa, o México precisa vencer seu grupo e, mesmo assim, só irá no Azteca até as oitavas de final. As quartas serão em Miami.

O México é protagonista da Copa por outra razão, a política. Não só pelas divergências com o governo Trump mas por abrigar o Irã, sediado em Tijuana, fronteira com San Diego, Califórnia. Diz-se que não se cumprirá o protocolo da Copa, porque os iranianos só vão para os Estados Unidos no dia de seus jogos. Depois, voltam ao México.

Descumprir o protocolo não é isso. É ter um país em guerra recebendo para partidas internacionais o país com quem está guerreando. Jamais aconteceu na história das Copas. A Áustria foi semifinalista em 1934; anexada pela Alemanha em 1938, não jogou o Mundial daquele ano.

Sábia descrição de Pedro Bial: “Para os americanos, não é novidade, porque o país está quase sempre em algum conflito ou com soldados em algum lugar do mundo. Nos Estados Unidos, a sensação de guerra não existe. Só existe no país em que estão seus soldados”.

O Canadá é o mais insípido dos três países. Jogará uma vez em Toronto, duas em Vancouver, onde seguirá na improvável chance de ganhar sua chave. Caso contrário, vai a Los Angeles.

As três Copas distintas serão assim até as oitavas de final. A partir das quartas, o território único será o dos Estados Unidos.

A pergunta é se haverá mais gente falando inglês ou se a os latinos tornarão o espanhol o idioma oficial. Depende do sucesso de Brasil, Argentina, México, Colômbia, Portugal, Paraguai, Uruguai e Espanha.

São três Copas e a chance de sucesso do Mundial norte-americano passa pelo povo que Trump despreza: os latinos.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte da Notícia

Leave A Comment