segunda-feira 8, junho, 2026 - 16:22

Brasil Hoje

Empresas aceleram revisão de escalas de trabalho com fim do 6×1

Empresas de diversos setores da economia intensificaram nas últimas semanas a revisão d

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Empresas de diversos setores da economia intensificaram nas últimas semanas a revisão de suas escalas de trabalho e modelos operacionais diante do avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6×1. O movimento ganhou força após a aprovação do texto em dois turnos pela Câmara dos Deputados no fim de maio. Agora, a proposta segue para análise do Senado Federal.

Mesmo antes da conclusão da tramitação legislativa, departamentos de Recursos Humanos, áreas financeiras e consultorias trabalhistas já começaram a avaliar impactos, revisar turnos e elaborar cenários para uma eventual implementação das novas regras.

A preocupação é maior em segmentos que dependem de operação contínua, como comércio, supermercados, hotelaria, alimentação, logística, segurança privada, limpeza e serviços terceirizados.

O que muda com a PEC

A proposta aprovada pelos deputados estabelece a redução gradual da jornada máxima semanal de trabalho, atualmente fixada em 44 horas.

Pelo texto, após a promulgação da emenda, a carga horária passaria inicialmente para 42 horas semanais. Em seguida, após um período de transição de 12 meses, seria reduzida para 40 horas semanais.

A PEC também prevê a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, substituindo a tradicional escala 6×1 pelo modelo 5×2, sem redução dos salários dos trabalhadores.

Além disso, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formatos diferenciados de jornada, desde que seja respeitada a média de dois dias de descanso remunerado por semana.

Empresas simulam impactos financeiros da mudança

Com a possibilidade de redução da jornada sem diminuição salarial, muitas empresas já iniciaram estudos para mensurar os reflexos sobre custos operacionais e produtividade.

O principal desafio é calcular como manter o nível de atendimento e operação em atividades que funcionam durante toda a semana, sem comprometer a rentabilidade do negócio.

Especialistas apontam que a manutenção dos salários com menos horas trabalhadas aumenta o custo efetivo da hora de trabalho. Por isso, organizações têm buscado alternativas para preservar a produtividade e evitar elevação significativa das despesas.

Os setores mais sensíveis à mudança são justamente aqueles que operam com grande volume de mão de obra e margens de lucro mais apertadas, onde a necessidade de novas contratações pode gerar impacto financeiro relevante.

Tecnologia ganha espaço nas estratégias das empresas

A discussão sobre a redução da jornada também vem acelerando investimentos em tecnologia e automação.

Muitas empresas passaram a antecipar projetos de digitalização, softwares de gestão de escalas, sistemas de autoatendimento e ferramentas de inteligência artificial para aumentar a eficiência operacional.

A expectativa é que soluções tecnológicas ajudem a compensar parte da redução da carga horária, permitindo que as equipes mantenham os níveis de produtividade sem necessidade de expansão proporcional do quadro de funcionários.

Para especialistas, a possível mudança na legislação pode acelerar uma transformação que já vinha ocorrendo em diversos setores da economia.

RH busca novos modelos de jornada

Além da adoção do modelo 5×2, empresas estudam alternativas para reorganizar turnos e distribuir melhor as horas de trabalho ao longo da semana.

O uso de bancos de horas, jornadas flexíveis e escalas diferenciadas também está entre as possibilidades analisadas pelos departamentos de Recursos Humanos.

No entanto, especialistas alertam que muitas dessas soluções dependerão de negociação com sindicatos e da formalização por meio de acordos ou convenções coletivas.

A avaliação é que a fase atual exige planejamento para evitar problemas de adaptação caso a proposta seja aprovada em definitivo.

Pequenas empresas acompanham debate com preocupação

Micro e pequenas empresas estão entre as que demonstram maior preocupação com os possíveis impactos da mudança.

Com estruturas mais enxutas e menor capacidade financeira para absorver custos adicionais, muitos empresários aguardam definições sobre eventuais regras de transição e medidas de apoio ao setor.

O texto aprovado prevê que uma futura lei complementar poderá estabelecer mecanismos para reduzir os impactos da nova jornada sobre microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais (MEIs).

Planejamento será decisivo para adaptação

Enquanto a proposta aguarda votação no Senado, especialistas recomendam que empresas iniciem desde já um diagnóstico interno de suas operações.

Entre as medidas sugeridas estão a análise da produtividade por setor, o mapeamento de gargalos operacionais, a revisão das escalas atuais e a reavaliação de contratos terceirizados e de prestação de serviços.

A expectativa é que os próximos meses sejam marcados por intensas discussões entre empregadores, trabalhadores e sindicatos sobre os efeitos da redução da jornada. Independentemente do resultado final da PEC, o debate já está levando empresas a repensarem suas estratégias de gestão de pessoas e organização do trabalho.

Com informações da Agência Brasil





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