O 6 a 2 diante do Panamá no amistoso no Rio de Janeiro, de despedida da seleção brasileira da torcida que permanecerá em solo nacional durante a Copa do Mundo, foi muito bem-vindo para Carlo Ancelotti.
Já pensou se o Brasil não consegue ganhar no Maracanã, e bem, de uma seleção que, apesar de ter se classificado para o Mundial, está muito atrás no ranking da Fifa (33º lugar, enquanto a seleção brasileira está em 6º) e é apenas a quarta força de sua região, atrás de México, EUA e Canadá?
Haveria um vendaval de críticas, que o placar largo tratou de transformar em uma brisa. Pois mesmo em um 6 a 2 há alguns pontos de preocupação a serem abordados. Não é pessimismo, querer achar defeitos em uma atuação de forma geral adequada. É realismo.
O Panamá está bem longe de ser uma Espanha, uma Argentina, uma França, uma Alemanha, porém deu trabalho acima do esperado no primeiro tempo, quando o Brasil jogou com o melhor que tinha e, do meio para a frente, com o provável time titular na estreia na Copa, no dia 13 (sábado), diante de Marrocos, nos EUA.
Depois do gol relâmpago feito por Vinicius Junior, aos 59 segundos, a seleção não conseguiu se impor no Maracanã com mais de 70 mil torcedores incentivando contra um Panamá que não tem um único jogador atuando nas maiores ligas europeias. Como todo o respeito a eles, são zé-ninguéns nos andares de cima do ludopédio.
Deve-se mesmo respeitá-los, pois endureceram o amistoso. Empataram em cobrança de falta em que contaram com a sorte –o desvio em Matheus Cunha enganou Alisson– e atuaram de igual para igual, com alguém da equipe de narração da Globo (Everaldo Marques, Maestro Júnior ou Denílson Show) soltando um “vou falar baixo, mas o Panamá está melhor”.
Perto do fim da etapa, o Brasil achou um gol: Casemiro, de cabeça. Na hora certa para evitar prováveis vaias na ida para o intervalo do sempre exigente torcedor brasileiro, que, com razão, quer ver o time jogando bem, ou, se não der, pelo menos ganhando. Foi o caso.
No segundo tempo, time quase inteiro mexido –só ficou o zagueiro Léo Pereira, já que Marquinhos e Gabriel Magalhães não tiveram tempo de se apresentar devido à presença na final da Champions League, na véspera–, viu-se um outro Brasil. Melhorado.
O moleque Rayan, 19, que entrou pela direita no lugar de um apagado Luiz Henrique, fez um lindo gol, em finalização sem ângulo, de alto nível de dificuldade, de bobeira panamenha na saída de bola pela esquerda da defesa.
Danilo Santos, substituto de Bruno Guimarães, outro a dever no primeiro tempo, também guardou o seu, a receber passe de Lucas Paquetá na área, dominar com estilo, girar o corpo e chutar no canto. Ele já tinha atuado muito bem e feito gol no amistoso anterior, diante da Croácia.
Ainda marcaram o próprio Paquetá e o centroavante Igor Thiago, de pênalti que foi sofrido por ele mesmo em jogada na qual meteu a bola entre as pernas de um defensor antes de ser derrubado pelo goleiro.
Quatro dos seis gols saíram no segundo tempo, com a equipe modificada. Contando ainda com outro moleque, Endrick, 19, os movimentos ofensivos fluíram com mais desenvoltura.
Uma discussão até o próximo amistoso, contra o Egito no sábado (6), em Cleveland, será sobre o desempenho abaixo do desejado no primeiro tempo, com titulares, e a ascensão no segundo, com suplentes. Danilo Santos, em particular, pede passagem para a titularidade.
Ancelotti ganhará dias de descanso do overdosado tema Neymar, e deve ficar satisfeito com isso. E ganhará um problema, o de ter de repensar o time. Menos mal que, devido a atuações destacadas de quem entrou, seja um problema bom.

