sexta-feira 29, maio, 2026 - 12:55

Esporte

Em Miami, a febre da Copa do Mundo pulsa entre os latinos – 29/05/2026 – Esporte

A Copa do Mundo da América do Norte está prestes a começar, mas nas ruas de Miami, iss

image_printImprimir


A Copa do Mundo da América do Norte está prestes a começar, mas nas ruas de Miami, isso é quase imperceptível. Aqui, a expectativa é palpável no cotidiano da grande comunidade latina: em grupos de WhatsApp, jogos casuais com amigos ou treinos de futebol infantil.

A cidade da Flórida, onde sete em cada dez moradores são latinos, está recebendo o maior evento esportivo do ano quase como uma reflexão tardia. Tanto que não parece que sediará quatro jogos da fase de grupos e três jogos eliminatórios, incluindo a disputa do terceiro lugar.

Para Rafael Calvo, um colombiano de 50 anos, “ansioso” para o início da Copa do Mundo em duas semanas, Miami ainda não investiu o suficiente em divulgação.

“Esperava uma atmosfera como a do Super Bowl, que já está fervilhando um ou dois meses antes. Estou achando muito fraco”, diz ele enquanto observa seu filho de 11 anos treinar em uma academia do Atlético de Madrid em Doral, perto de Miami.

Um sentimento compartilhado por Genesis Garrido, ex-jogadora profissional na Venezuela, que dirige a escola de futebol feminino Big Potential Training.

“Esperava um pouco mais de animação. Quase não vi nenhuma promoção relacionada à Copa do Mundo na cidade, nenhum cartaz ou decoração. Acho que eles deveriam fazer um trabalho melhor para promover um dos eventos mais importantes do mundo”, diz a treinadora de 29 anos.

“A atmosfera está mais dentro da comunidade do futebol, entre pessoas ligadas ao futebol, do que na própria cidade”, acrescenta.

Uma paixão diferente

Na Revo Soccer, um espaço que aluga campos cobertos em Doral, o fervor pré-Copa do Mundo é palpável.

Numa manhã de domingo, Marcos Daniel Quintana, de 26 anos, joga uma partida com os colegas de trabalho que parece uma questão de vida ou morte. Cinco contra cinco. Ali, eles gritam, correm e dão carrinhos duros.

Ao final, Quintana, vestindo a camisa da seleção portuguesa de seu ídolo, Cristiano Ronaldo, sorri satisfeito com a vitória de sua equipe. “Estou muito ansioso para que a Copa do Mundo comece logo, estou muito animado”, diz este cubano que vive em Miami.

Seu sentimento é compartilhado por muitos latinos, como o argentino Juan Pugín, treinador de futebol na academia Revo Soccer.

Com a aproximação da Copa do Mundo, ele tem visto as reservas de campos aumentarem e as crianças perguntarem cada vez mais sobre os álbuns de figurinhas da Panini para a competição.

“Os latinos vivenciam esse esporte com uma paixão incomparável, especialmente maior do que a dos americanos”, afirma Pugín, de 25 anos. “Os latinos são loucos por futebol. Eles vivem e respiram futebol.”

Segundo ele, essa paixão ficou ainda mais evidente em Miami após a chegada do astro argentino Lionel Messi ao time da cidade em 2023, uma revolução para a MLS, a liga de futebol norte-americana.

O obstáculo dos preços

Para muitos, no entanto, a celebração ficará incompleta, pois não poderão assistir aos jogos devido aos altos preços dos ingressos.

“Estamos muito animados para vivenciar a Copa do Mundo aqui, mas também um pouco tristes porque os ingressos estão muito caros. Não vou a nenhum jogo”, lamenta Garrido.

Calvo, por sua vez, gostaria de levar seus dois filhos para o jogo entre Colômbia e Portugal em Miami, mas com ingressos a partir de US$ 2.500 (R$ 12,6 mil) em meados de maio, ela desistiu do sonho de ver sua seleção na Copa do Mundo.

Em vez disso, ela irá ao jogo entre Arábia Saudita e Uruguai no dia 15 de junho, para o qual conseguiu um ingresso por pouco mais de US$ 300 (R$ 1.500). “Nunca fui a uma Copa do Mundo, então, para riscar esse item da minha lista de desejos, vou a esse jogo”, explica.

Garrido também tem planos: reunir as meninas de sua academia para assistir aos jogos e receber torcedores de outros países que queiram trazer suas filhas para treinar durante o torneio. “Será um intercâmbio cultural maravilhoso”, diz ela.



Fonte da Notícia

Leave A Comment