O viés da confirmação é a tendência de valorizar apenas informações que reforçam o que a pessoa já acredita e desqualificar o que contraria as próprias ideias. Com as redes sociais, isso ganhou mais força e impacta diretamente na circulação de desinformação. O psicólogo Rodrigo Guimarães, especialista em análise do comportamento, fala sobre o tema:
“A psicologia explica esse fenômeno através de um comportamento, através de um fenômeno chamado percepção. A gente não percebe as coisas só porque elas estão aí, a gente aprende a percebê-las. Assim como um músico aprende a perceber diferentes tons, diferentes notas musicais, assim também é a percepção para qualquer outro fenômeno. Então, quando a gente tem uma história extensa de perceber com um determinado viés, a gente tende a continuar percebendo desta forma, minimizando fatos que mostrem o contrário e maximizando os fatos que vão de encontro com essa tendência.“
Estudos da psicologia mostram que este tipo de comportamento está ligado a mecanismos emocionais.
“Quando a emoção tá envolvida, fica um pouco mais complicado da gente ser imparcial. Geralmente o embate direto, geralmente só vai arraigar a pessoa naquele viés em que ela tá.”
O viés de confirmação pode fortalecer:
- preconceitos,
- radicalizações, e
- fake news.
Para o psicólogo Marcos Emanoel Pereira, professor do Instituto de Psicologia da UFBA, é preciso aprender a questionar as próprias certezas.
“Evite acreditar em tudo que escuta, em tudo que lhe falam, e até mesmo naquilo que está acostumado a ver. A realidade cotidiana, aquilo que estamos acostumados a vivenciar e experienciar, não é um bom conselheiro para se chegar à verdade. Adote uma postura de ceticismo, pois, dessa forma, você pode se distanciar daquilo que lhe é óbvio e se aproximar daquilo que se manifesta de uma forma não imediata e de uma forma não exatamente pregnante.”
Para evitar o viés de confirmação, é preciso buscar diferentes fontes de informações e estar aberto ao contraditório.
“Adote a dúvida sistemática enquanto método. E procure ser seletivo em relação ao que acessa corriqueiramente.”

