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Esporte

Futebol permite sonhar o sonho impossível – 05/05/2026 – Tostão

O excesso de partidas e a enorme intensidade das equipes e dos atletas, que atuam nos lim

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O excesso de partidas e a enorme intensidade das equipes e dos atletas, que atuam nos limites físico e mental, são motivos importantes de tantas contusões e ausências nos muitos campeonatos espalhados pelos continentes. É preciso diminuir o número de jogos e a ganância pelo lucro. Esse exagero piora a qualidade do espetáculo. Não teremos na Copa do Mundo vários jogadores excepcionais por causa de contusões.

Clássico é clássico, clássico não tem favorito. Antigos chavões continuam atuais. Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras, apontados como favoritos nos clássicos regionais, não venceram no final de semana. O Cruzeiro perdeu para o Atlético-MG e Palmeiras e Flamengo empataram contra Santos e Vasco. Os seis primeiros colocados no Brasileirão não ganharam na rodada. O equilíbrio parece ainda maior que nos anos anteriores.

Como é habitual, os técnicos do Cruzeiro e Flamengo mudaram demais as equipes durante o segundo tempo e isso contribuiu para os maus resultados. O Cruzeiro perdia, o técnico tirou os melhores jogadores e isso dificultou a reação da equipe. O Flamengo vencia, o técnico trocou vários atletas o que facilitou a reação do Vasco. Os treinadores, para poupar, melhorar ou apenas por habito, costumam trocar jogadores sempre aos 15 minutos do segundo tempo. Muitas vezes, atrapalham a equipe.

O treinador do Atlético-MG, Eduardo Dominguez, apelidado de Barba, é alto, magro e tem uma barba grisalha. Está bastante parecido com o personagem Dom Quixote vivido pelo grande ator Peter O’Toole, no magistral filme musical “Dom Quixote de La Mancha”, ao lado de Sophia Loren, como Dulcineia, dirigido por Arthur Hiller. A trilha sonora inclui a famosa canção “o sonho impossível”, de Lawrence Rosenthal, que teve lindíssima versão gravada por Maria Bethânia.

Na minha juventude, um dos meus livros preferidos era “Dom Quixote”, com suas visões delirantes e sonhos inimagináveis, uma obra épica da literatura, escrita pelo espanhol Miguel de Cervantes em 1605. Sonhar o sonho impossível.

Teoria e prática

Quando atuava como médico, estudei psicanálise por interesse intelectual e para entender melhor os pacientes. Imaginava que seria muito difícil compreender as ideias de Freud, mas logo percebi que seus textos eram claros, convincentes e simples e que até os mistérios da alma tinham lógica. Freud colocou ordem no caos.

Quando joguei ao lado de Pelé, vi que ele, como Freud, tornava simples o que era complexo. Com poucos movimentos corporais e ações, iluminava tudo o que estava em sua frente e chegava ao gol. O mesmo acontece com os grandes talentos de todas as áreas.

Esta quarta-feira (6) é dia de ver um grande jogo, entre Bayern e PSG, pela Liga dos Campeões, em Munique, com a presença de muitos craques, como o centroavante Kane, que, longe de ser um Pelé, define as jogadas com precisão, com poucos movimentos e ações.

O mesmo ocorre com os treinadores. Os melhores são os que, além do conhecimento técnico, tático e científico, possuem a capacidade de simplificar e de tomar as decisões corretas no momento certo, antes e durante as partidas. Unem a teoria à prática. A teoria sem a prática é um vazio. A prática sem a teoria é uma grosseira simplificação.


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