terça-feira 5, maio, 2026 - 12:15

Saúde

Distorção de imagem transforma emagrecer em obsessão

A distorção de imagem corporal tem deixado de ser apenas uma insatisfação estética p

image_printImprimir


A distorção de imagem corporal tem deixado de ser apenas uma insatisfação estética para se consolidar como um problema de saúde mental com impactos profundos. Em uma sociedade  cada vez mais conduzida por padrões irreais e pela pressão constante das redes sociais, cresce o número de pessoas que desenvolvem algum tipo de relação compulsiva com o próprio corpo.

O que começa como o desejo de emagrecer pode evoluir para um comportamento rígido, marcado por sofrimento psicológico e prejuízos físicos. Nesses casos, a busca pelo “corpo ideal” deixa de ser uma escolha saudável e passa a dominar a rotina.

O psiquiatra Victor Tolentino, do Hospital Brasília, em Águas Claras, explica que o problema não tem uma única causa. “A distorção da imagem corporal é multifatorial. Ela surge da interação entre fatores biológicos, psicológicos e socioculturais”.

Normalmente, o quadro está no relacionado a transtornos como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno dismórfico corporal, os quais a percepção do corpo é profundamente alterada.

De acordo psicólogo Luigi Sturaro, que atende no Rio de Janeiro, o processo também é entendido como progressivo. Ele  afirma que crenças negativas e emoções como vergonha e inadequação reforçam essa distorção ao longo do tempo.

“A pessoa passa a interpretar o próprio corpo de forma enviesada, com atenção seletiva a supostos ‘defeitos’”, destaca.

Quando emagrecer deixa de ser saudável

O limite entre cuidado e compulsão não está no objetivo de emagrecer, mas na forma de como o hábito é conduzido. “A busca por emagrecimento deixa de ser saudável quando passa a controlar a vida da pessoa”, alerta Tolentino.

Sinais como medo intenso de engordar, dietas extremamente restritivas, jejuns prolongados e exercícios físicos punitivos indicam que o comportamento já saiu do campo saudável.

Para Sturaro, o ponto central e preocupante é a perda da flexibilidade psicológica. Ou seja, mesmo diante de prejuízos físicos, emocionais ou sociais, a pessoa não consegue interromper o padrão, reforçando um ciclo de insatisfação contínua.

Sinais de alerta e impacto na saúde mental

A distorção de imagem costuma evoluir de forma silenciosa. Entre os principais sinais estão a preocupação constante com o peso, culpa após as refeições, isolamento social e checagem repetitiva do corpo. Além disso, o impacto psicológico é significativo, pois a pessoas pode desenvolver  ansiedade, sintomas depressivos e autocrítica intensa que passam a fazer parte da rotina.

Com o avanço do quadro, também podem surgir sintomas físicos como queda de cabelo, tonturas, irritabilidade e alterações hormonais.

Redes sociais e tratamento multidisciplinar

As redes sociais atuam como um fator de risco importante. A exposição constante a corpos editados e padrões irreais intensifica comparações e amplia a distorção de imagem. O psicólogo explica que esses padrões acabam sendo internalizados como medida de valor pessoal, o que aprofunda o problema.

Apesar disso, existem tratamentos eficazes que costuma ser multidisciplinares. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada a principal abordagem, atuando na reestruturação de pensamentos distorcidos e comportamentos disfuncionais.

Em alguns casos, medicamentos podem ser utilizados como complemento, especialmente quando há transtornos associados. Ainda assim, os especialistas alertam que tratar somente os sintomas não resolve o problema, é necessário atuar na raiz da distorção de imagem.



Fonte da Notícia

Leave A Comment