Brasília

Saneamento precário atinge mais de 11,5 milhões de domicílios no país

Saneamento precário atinge mais de 11,5 milhões de domicílios no país


Mais de 11,5 milhões de domicílios no Brasil não contam com esgotamento sanitário adequado, usando como destino de dejetos a fossa rudimentar, valas, rios, lagos ou mar, entre outras formas de escoamento. A região com maior indicador é a região Norte, com 2,3 milhões de unidades nessa condição. Os dados são da PNAD Contínua sobre características gerais dos domicílios e moradores de 2025, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE. Contudo, a proporção de residências com esgotamento sanitário por rede coletora aumentou 3,3 pontos percentuais entre 2019 e 2025, passando de cerca de 68% para mais de 71%. William Araújo, pesquisador do IBGE, aponta que a região Norte é a que mais sofre com esgotamento sanitário impróprio.

“A região Norte é única em que o outro tipo de esgotamento sanitário é superior à rede geral. São 39,3% dos domicílios tendo seu esgoto feito via fossa rudimentar, vala, rio, lago, córrego ou direto para o mar, o pior tipo de esgotamento sanitário”.

 A pesquisa mostra ainda que mais de 93% dos imóveis urbanos têm acesso à rede geral de abastecimento de água, enquanto na área rural o percentual é de menos de 32%. O pesquisador do IBGE apresenta possíveis razões para esse resultado.

“A região rural, por ser mais afastada, por ser mais dispersa, talvez isso encareça a implantação de uma rede geral de distribuição e a solução, muitas vezes para a zona rural, é buscar as fontes alternativas. Tanto que o poço profundo artesiano atende a 4,5% da zona urbana, enquanto que atende a 31,9% da zona rural”.

O estudo analisou também os tipos de domicílios no país. Mais de 82% eram casas e cerca de 17% apartamentos. Em relação às condições de pagamento, 60% das residências eram propriedade de algum morador e já pagas; 6,8% ainda estavam com pagamento pendente, 23,8% eram alugadas e 8,9% cedidas.

Quanto à autodeclaração racial de 2012 a 2025, a população que se declarava de cor ou raça branca registrou queda, enquanto os que se declararam de cor ou raça preta aumentaram. Sobre isso, explica o pesquisador do IBGE.

“Naturalmente, algum movimento aconteceu de branco para pardo, mas a diferença maior foi aqui nas pessoas que se declaram pretas. Uma redução de 3,8% na população que se declara branca no Brasil. O destaque foi na região Sul, onde a redução foi de 6,5 pontos percentuais.

 Além disso, o levantamento mostra que a distribuição por grupos etários confirma a tendência de envelhecimento populacional. A parcela das pessoas de 60 anos ou mais representava 16,6% da população em 2025, enquanto em 2012 era pouco mais de 11%. A PNAD Contínua reúne dados de aproximadamente 168 mil domicílios no país.




Fonte GDF