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Amistoso entre Espanha e Egito tem insultos racistas – 01/04/2026 – Esporte

O amistoso entre Espanha e Egito realizado nesta terça-feira (31) na província de Barce

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O amistoso entre Espanha e Egito realizado nesta terça-feira (31) na província de Barcelona terminou com o placar de 0 a 0. A partida não ficou marcada pelo desempenho das equipes, mas por insultos racistas direcionados a muçulmanos e proferidos nas arquibancadas.

Parte dos 35 mil torcedores que foram ao RCDE Stadium vaiou o hino do Egito antes do início do jogo e gritou que “quem não pula é muçulmano” durante o primeiro tempo. Ao longo da partida, o sistema de som e os telões do estádio emitiram alertas lembrando que “atos violentos, xenofóbicos, homofóbicos e racistas” são proibidos e passíveis de sanções.

O astro da seleção espanhola, Lamine Yamal, é muçulmano. O jogador do Barcelona foi o único que não deu a volta no gramado para saudar os torcedores no estádio. Nesta quarta-feira (1º), o atacante classificou os gritos como “intoleráveis”.

“Eu sei que [o cântico] era para a equipe rival e não algo pessoal contra mim, mas como muçulmano não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável”, escreveu em suas rde sociais.

“Aos que cantam essas coisas: usar uma religião como piada em um estádio deixa vocês como pessoas ignorantes e racistas”, acrescentou.

O ministro da Justiça da Espanha, Félix Bolaños, disse horas após a partida que os insultos racistas são vergonhosos para a sociedade.

A polícia regional catalã afirmou, também nas redes sociais, que está investigando os cânticos islamofóbicos e xenofóbicos registrados no RCDE Stadium.

Classificado como “vergonha mundial” na capa do jornal esportivo AS, o episódio gerou posicionamentos da Federação Espanhola (RFEF) e do técnico da seleção, Luis de la Fuente.

“Os violentos aproveitam o futebol para ter seu espaço. É preciso afastá-los da sociedade, identificá-los e mantê-los o mais longe possível”, disse o treinador na sala de imprensa após a partida.

Rafael Louzán, presidente da RFEF, classificou o caso como um “acidente isolado que não deve voltar a ocorrer”.

Episódios frequentes de racismo

Vinicius Junior, atacante brasileiro do Real Madrid, tem sido alvo frequente de insultos racistas no futebol espanhol nos últimos anos. Em janeiro de 2023, torcedores do Atlético de Madrid penduraram um boneco enforcado com sua imagem em uma ponte próxima ao centro de treinamento do Real Madrid.

Em 2025, cinco torcedores do Real Valladolid que proferiram insultos racistas contra Vini em uma partida de 2022 foram considerados culpados por crime de ódio, no primeiro julgamento desse tipo na Espanha relacionado a insultos em um estádio de futebol.

Vários outros incidentes foram registrados, o mais recente em janeiro deste ano, quando torcedores do Albacete entoaram mais um cântico racista contra o atacante brasileiro nos arredores do estádio Carlos Belmonte, antes do clube da segunda divisão espanhola eliminar o Real Madrid da Copa do Rei.

Outros jogadores, como o próprio Lamine Yamal e os irmãos Iñaki e Nico Williams, também receberam insultos racistas em diferentes estádios.

A Espanha será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos, um torneio que também terá partidas na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.

A imprensa espanhola afirmou que esse tipo de incidente pode afetar a organização do torneio e levar a Fifa a transferir a final para Marrocos, embora inicialmente a decisão esteja programada para Madri.



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