A Copa do Mundo deve impactar não apenas a agenda dos torcedores, mas também a rotina das empresas. Uma pesquisa da UKG estima que o torneio pode gerar cerca de US$ 17 bilhões em perda de produtividade para empregadores em diferentes países e deve gerar diferentes desafios para os gestores.
O levantamento aponta que 37% dos trabalhadores entrevistados pretendem fazer algum tipo de ajuste na rotina profissional por causa dos jogos. Entre as mudanças previstas estão atrasos, saídas antecipadas, faltas, pedidos de flexibilidade e acompanhamento das partidas durante o expediente.
De acordo com a pesquisa, 27% dos funcionários afirmaram que provavelmente chegarão atrasados, sairão mais cedo ou deixarão de trabalhar em algum momento da competição. Outros 14% admitiram que podem assistir aos jogos ou aos melhores momentos das partidas escondidos durante o horário de trabalho.
O levantamento também mostra outros reflexos do evento no ambiente corporativo. Cerca de 11% dos entrevistados disseram que podem trabalhar de ressaca durante o período da Copa do Mundo, enquanto 22% afirmaram que devem comparecer ao expediente cansados em razão dos jogos.
A pesquisa foi realizada pela UKG, plataforma de inteligência artificial voltada a recursos humanos, folha de pagamento e gestão de pessoas, com 8 mil trabalhadores de Austrália, Canadá, França, Alemanha, México, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos.
Gestores também devem alterar a rotina
O impacto da Copa não deve ficar restrito aos funcionários sem cargo de liderança. Segundo o estudo, 42% dos gerentes disseram que provavelmente planejariam um dia de folga durante o torneio. Além disso, 45% afirmaram que poderiam pedir flexibilidade de última hora para acompanhar a competição.
Para as empresas, o cenário exige planejamento prévio, especialmente em setores que dependem de atendimento ao público, escalas presenciais, prazos operacionais e equipes reduzidas. A falta de organização pode gerar acúmulo de demandas, sobrecarga entre colegas e queda na qualidade da entrega.
Segundo o diretor de produtos da UKG, Suresh Vittal, os impactos vão além da produtividade. Ele afirma que a experiência do cliente também pode ser prejudicada quando parte da equipe se ausenta ou reduz o ritmo de trabalho, obrigando outros profissionais a cobrirem lacunas.
EUA concentram maior estimativa de perda
A edição de 2026 da Copa do Mundo será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio terá formato ampliado, com 48 seleções e 104 partidas.
De acordo com a UKG, os Estados Unidos devem concentrar a maior parte da perda estimada, com aproximadamente US$ 11,7 bilhões em produtividade afetada. Em seguida aparece a Alemanha, com estimativa de US$ 1,34 bilhão.
O tamanho do impacto está relacionado ao volume de jogos, à diferença de fusos horários, à relevância esportiva do evento e ao comportamento dos trabalhadores diante de partidas transmitidas durante o expediente.
Flexibilidade pode reduzir impactos
Embora a Copa do Mundo possa afetar a rotina profissional, especialistas em gestão de pessoas defendem que a melhor estratégia para as empresas não é ignorar o evento, mas criar regras claras para o período.
Medidas como organização antecipada de escalas, banco de horas, horários flexíveis, comunicação interna e definição de critérios para assistir aos jogos podem reduzir conflitos e evitar quedas maiores de produtividade.
A adoção de políticas transparentes também ajuda a equilibrar o interesse dos funcionários pelo torneio com a necessidade de manter entregas, atendimento e funcionamento das operações.
Para empresas brasileiras, o tema também serve de alerta. Mesmo que o levantamento não tenha incluído trabalhadores do Brasil, a Copa do Mundo costuma alterar a rotina de consumo, transporte, expediente e atendimento no país, exigindo atenção de empregadores, áreas de recursos humanos e gestores financeiros.
Com informações adaptadas Folha de S. Paulo

