O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta semana, em Brasília, julgamentos que podem impactar diretamente as áreas tributária e trabalhista. Os ministros devem analisar ações que discutem a validade de regras ligadas à reforma tributária, à gratuidade da Justiça do Trabalho e à aposentadoria especial. As decisões são aguardadas por empresas, trabalhadores, contribuintes e pelo próprio governo, devido aos possíveis reflexos sobre a arrecadação pública e a segurança jurídica.
Um dos principais temas da pauta é a regulamentação da reforma tributária do consumo. O STF deverá analisar ações que questionam dispositivos da Lei Complementar nº 214/2025, responsável por definir as regras para concessão de alíquota zero do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
As ações se concentram, principalmente, nas regras para compra de veículos por pessoas com deficiência (PCD) e pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Entidades representativas alegam que a legislação restringe o acesso ao benefício ao limitar a isenção para casos de TEA moderado ou grave.
Uma das ações foi apresentada pelo Instituto Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência Oceano Azul, que sustenta que os critérios adotados violam princípios constitucionais, como a isonomia e a dignidade da pessoa humana.
Outra contestação foi apresentada pela Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência (ANAPcD), que questiona o prazo de quatro anos exigido para a aquisição de um novo veículo com isenção fiscal. Atualmente, taxistas, por exemplo, podem renovar o benefício após dois anos.
A decisão do STF poderá influenciar a aplicação das novas regras da reforma tributária e trazer mais segurança jurídica para contribuintes e empresas que já se preparam para a transição do novo sistema.
Gratuidade na Justiça do Trabalho volta ao debate
A pauta trabalhista também deve voltar ao centro das discussões da Corte. Os ministros retomam o julgamento de uma ação que discute as regras para concessão da Justiça gratuita na esfera trabalhista, tema alterado pela reforma trabalhista de 2017.
O processo havia começado a ser analisado no plenário virtual, mas foi levado ao plenário físico após pedido de destaque. A ação foi proposta pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif), que defende a validade das regras atualmente previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Pela legislação vigente, têm direito à gratuidade os trabalhadores que recebem até 40% do teto da Previdência Social e comprovem insuficiência de recursos para arcar com os custos do processo.
Parte dos ministros entende que a simples declaração de hipossuficiência financeira deve ser suficiente para garantir o benefício. Outros defendem critérios mais objetivos e a necessidade de comprovação da situação econômica em determinados casos.
A definição é acompanhada de perto por empregadores e especialistas em Direito do Trabalho, já que poderá impactar o volume de ações trabalhistas e os custos envolvidos nos litígios.
Expectativa por segurança jurídica
Os julgamentos desta semana são considerados estratégicos por especialistas, pois envolvem temas que afetam diretamente empresas, trabalhadores e contribuintes.
A expectativa é que as decisões do STF contribuam para reduzir incertezas jurídicas sobre pontos centrais das reformas tributária e trabalhista, estabelecendo parâmetros que deverão orientar futuras decisões judiciais e a aplicação das normas pelos próximos anos.
Com informações do Valor Econômico

