quarta-feira 1, julho, 2026 - 18:12

Brasil Hoje

Reajuste do microcrédito avança e segue para a Câmara

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (3

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (30) o projeto de lei que prevê o reajuste anual dos limites de acesso ao microcrédito produtivo orientado. Com o aval da comissão, a proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para votação no plenário do Senado.

A medida busca atualizar automaticamente os limites de saldo devedor do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), evitando que a inflação reduza, ao longo do tempo, o acesso de microempreendedores ao crédito.

O projeto (PL 1.472/2026) altera as regras do PNMPO, programa voltado ao financiamento de atividades produtivas de pequenos empreendedores, oferecendo crédito em condições facilitadas para estimular geração de renda, formalização e expansão dos negócios.

O que muda com a proposta?

Atualmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece dois principais limites para acesso ao programa:

  1. R$ 21 mil para a soma das dívidas em operações de microcrédito na mesma instituição financeira;
  2. R$ 80 mil para o total de operações de crédito no sistema financeiro, excluindo financiamento habitacional.

Com a aprovação do projeto, esses limites passarão a ser corrigidos anualmente de forma automática, sem necessidade de nova regulamentação.

O relator da proposta, senador Laércio Oliveira (PP-SE), apresentou um substitutivo que amplia o alcance da correção, determinando que qualquer limite de saldo devedor definido pelo CMN para acesso ao PNMPO seja reajustado anualmente pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).

Inflação reduz acesso ao crédito

Segundo o relator, a falta de atualização periódica dos limites compromete a efetividade do programa.

Na prática, mesmo sem aumentar o volume real de suas operações, muitos empreendedores deixam de atender aos critérios de acesso apenas por causa da inflação acumulada.

Dados apresentados durante a tramitação mostram que, entre setembro de 2020 e abril de 2026, a inflação acumulada foi de:

  1. 41,785% pelo IPCA;
  2. 46,541% pelo IGP-M.

Esse avanço dos preços elevou custos operacionais e pressionou o faturamento nominal dos pequenos negócios, reduzindo o alcance prático das regras atuais.

Reajuste será automático

O texto aprovado prevê que a atualização seja aplicada tanto aos limites por operação quanto aos limites relacionados ao total de dívidas em uma ou mais instituições financeiras.

A primeira correção ocorrerá assim que a nova lei entrar em vigor, considerando a inflação acumulada desde a vigência da regra atual.

A proposta também mantém uma trava importante: se o índice de correção registrar variação negativa, não haverá reajuste no período.

Impacto para pequenos negócios

A atualização é vista como positiva para microempreendedores, pequenos comerciantes e profissionais autônomos que dependem do microcrédito para capital de giro, compra de equipamentos e expansão da atividade.

Na avaliação de especialistas, a medida pode ampliar a inclusão financeira e evitar que milhares de pequenos negócios percam acesso a linhas de crédito por defasagem dos limites.

Para contadores e consultores financeiros, a mudança também pode trazer impactos relevantes no planejamento de crédito de clientes enquadrados em programas de microfinanciamento.

A expectativa agora é pela análise da matéria na Câmara, onde o tema deve avançar nas próximas semanas.

Com informações da Agência Senado





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