Em praticamente todos os cursos, MBAs, especializações e nas redes sociais, ouvimos a mesma mensagem: é preciso ter um plano. Planejar, elaborar um plano de negócios antes de abrir uma empresa, analisar os prós e contras, medir os riscos e buscar o plano perfeito antes de começar.
Quem sou eu para contradizer tantos estudiosos, teóricos da gestão e especialistas em planejamento? Claro que acredito que devemos planejar, pensar e avaliar antes de iniciar qualquer projeto. O problema surge quando o planejamento deixa de ser uma ferramenta e passa a ser uma desculpa para não agir.
Gosto de fazer um paralelo entre duas palavras que muitas vezes são confundidas: movimento e ação.
Movimento
Imagine que você deseja iniciar quatro novos projetos. Não estou falando apenas de negócios. Pode ser uma dieta, uma prova de corrida, aprender um novo idioma ou qualquer outro objetivo.
Você pesquisa, faz cursos, lê livros, conversa com especialistas, revisa o plano diversas vezes e continua buscando a perfeição. Sempre existe um motivo para adiar o início:
“Ainda não está pronto.”
“Vou estudar mais um pouco.”
“Vou esperar o momento ideal.”
Isso é movimento.
Você está ocupado, mas não está avançando.
Ação
Agora imagine que, após uma análise inicial, você conclui que possui aproximadamente 70% de confiança de que o projeto faz sentido.
Em vez de continuar planejando indefinidamente, você começa.
Dá o primeiro passo, aprende com a execução, corrige a rota e segue em frente.
Isso é ação.
A ação é o único comportamento capaz de gerar resultados.
Nem sempre dará certo. Nem sempre será um sucesso. Alguns projetos irão falhar e outros precisarão ser ajustados no caminho. Mas quem espera ter 100% de certeza antes de começar normalmente nunca começa.
A vida, os negócios e os investimentos raramente oferecem garantias.
Não precisamos acertar todas as vezes. Muitas vezes basta acertar uma.
O movimento é importante porque nos ajuda a aprender, analisar riscos e construir conhecimento. Porém, sozinho, ele não produz resultados.
O movimento é preparação.
A ação é transformação.
Muitas pessoas passam anos em movimento acreditando que estão progredindo, quando na verdade estão apenas evitando o risco de fracassar. O problema é que, ao evitar o fracasso, também evitam o sucesso.
Por isso, planeje. Estude. Avalie.
Mas em algum momento, saia do movimento e entre em ação.
Porque o resultado nunca nasce do plano.
O resultado nasce da execução.
Como dizia Voltaire:
“O melhor é inimigo do bom.”
No mundo empresarial, o excesso de planejamento cria a ilusão de controle. O mercado recompensa quem planeja o suficiente para começar e executa rápido o suficiente para aprender.
Planejamento reduz riscos. Execução gera resultados.
Por: Aurélio Zorzi

