O pernambucano Júlio Miranda, 35, dono do perfil no Instagram @mamuteofficial, hoje com 2,2 milhões de seguidores, tornou-se uma figura conhecida do mundinho da corrida por terminar a última São Silvestre em mais de seis horas e por ainda, depois, participar de provas de corrida em Aveiro, Portugal, Mendoza, Argentina, e Montevidéu, Uruguai.
As provas principais no exterior eram sempre maratonas (42,2 km), mas Mamute, ou Mamutinho, como prefere, optou pelas de 10 km, caminhando 99% do tempo, como diz, e concluindo-as em mais de duas horas. A São Silvestre, a edição dos 100 anos (2025), foi a primeira prova de corrida para a qual se inscreveu.
São feitos notáveis para quem pesa 200 quilos, embora já tenha, segundo ele, chegado aos 300, quando qualquer atividade comezinha, como tomar banho, virava um martírio. “Voltava completamente suado do banho, precisava tomar outro.”
Foi ao tentar comprar um presente para Guilherme, o sobrinho recém-nascido, e não ter forças para sair do apartamento que a atividade física entrou na equação. “Me senti um lixo naquela hora, tinha de fazer alguma coisa.” O sobrinho havia nascido no mesmo dia de Mamute, e mais, na mesma hora, coincidência que ele interpretou como um sinal transcendente.
Embora tenha encontrado nas provas de corrida o que chama de “propósito” —e, principalmente, o melhor canal de difusão de sua estratégia atual de redução de peso, estratégia que não contempla cirurgia bariátrica nem uso de canetas emagrecedoras—, foi a natação que virou o jogo.
Na piscina, que ele frequenta diariamente, ou quase, diz ter perdido boa parte desses 100 quilos. Mais do que isso, a atividade fez com que ele, como gosta de falar, “voltasse à vida”. Primeiro ele tentou a hidroginástica, mas a companhia de “muitas senhoras que gostam de fofocar” fazia com que o exercício não rendesse.
A corrida, por outro lado, catapultou sua carreira de influencer. Com as provas vieram a audiência e, de quebra, críticas. Não são poucos os corredores, alguns com canais na internet, que se incomodam com o fato de Mamute “não deixar claro” que participa de provas de 10 km, não de maratonas.
Ele diz que isso não o afeta, pois os escarnecimentos são fração dos elogios e refletem reação esperada de quem ocupava um espaço que agora tem de compartilhar com um “new kid”.
É provável que haja mais espaço para críticas, pois o homem pretende, entre outras provas, ir à maratona do Rio, no começo de junho, e à do Sol da Meia Noite, em Tromso, na Noruega, logo depois. O ciclo deve se encerrar em novembro, na mais do que simbólica Maratona Autêntica de Atenas, cuja largada é na cidade de Maratona, a que dá nome às provas de 42 km.
Ali ele espera já conseguir percorrer 21 km, bem mais que os 10 km habituais e cerca de 6 km a mais do que a São Silvestre, quando tudo começou.
Ele não considera meta utópica perder outros 100 kg, mas prefere ter como objetivo, como escreve em seu perfil no Instagram, “viver!”.
Quando parte para essas viagens, pagas do próprio bolso –até aqui teve cortesia de hospedagem em Aveiro, convidado que foi pelo organizador da prova–, ele diz que “representa o Brasil”.

