A nova alta das expectativas para a inflação voltou a fortalecer a renda fixa entre as principais alternativas de investimento. Segundo o Relatório Focus do Banco Central, publicado nesta segunda-feira (22), a projeção para o IPCA de 2026 avançou para 5,33%, marcando a 15ª elevação semanal consecutiva. O movimento ocorre após a Selic ser reduzida para 14,25% ao ano, mas ainda em um ambiente de juros elevados.
Para Rodrigo Rosário, especialista em alocação de ativos, esse cenário continua favorecendo aplicações conservadoras e com potencial de proteção contra a inflação. “A renda fixa continua bastante atrativa. Com a inflação próxima de 5%, aplicações ligadas à taxa básica ainda oferecem retorno real próximo de 9% ao ano, um patamar raramente observado desde o Plano Real”, afirma.
Além dos títulos atrelados à Selic, os investidores também têm voltado a atenção para papéis indexados ao IPCA. Esses ativos ganharam espaço nos últimos meses à medida que as projeções para a inflação passaram a subir de forma recorrente.
“Com uma inflação crescente, os investimentos indexados a ela tendem a apresentar melhor desempenho, como NTN-Bs e créditos privados atrelados ao IPCA. Em períodos de instabilidade, esses ativos ajudam a preservar o poder de compra e garantir ganho real de patrimônio”, diz.
A escolha entre títulos prefixados e indexados à inflação segue entre as principais dúvidas de quem busca aproveitar os juros elevados. Segundo Rosário, cada alternativa responde de forma diferente às expectativas para a economia.
“Os títulos indexados ao IPCA são mais conservadores, pois garantem retorno acima da inflação. Já os préfixados podem entregar ganhos maiores caso os juros caiam, mas carregam mais risco caso o cenário evolua na direção oposta”, explica.
O especialista também recomenda atenção ao crédito privado. Debêntures, CRIs e CRAs podem oferecer retornos superiores aos de aplicações tradicionais, mas exigem análise mais cuidadosa em períodos de juros elevados. “Como esses ativos representam dívidas de empresas, juros elevados aumentam os custos financeiros e podem pressionar a saúde das companhias. Em casos extremos, isso pode elevar o risco de inadimplência para o investidor”, afirma. Para quem ainda mantém recursos na poupança ou em fundos DI tradicionais, ele avalia que existem alternativas mais eficientes dentro da renda fixa, desde que adequadas ao perfil e aos objetivos de cada investidor.
Fonte: It Comunicação
