sexta-feira 17, abril, 2026 - 17:17

Brasília

Falta regulação do uso de redes sociais por policiais, aponta pesquisa

Levantamento inédito aponta falta de regulação no uso de redes sociais por agentes

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Levantamento inédito aponta falta de regulação no uso de redes sociais por agentes das forças de segurança.

O estudo “policiais influenciadores”, divulgado nesta semana pelo Instituto Sou da Paz, aponta que 38 das 56 corporações policiais estudadas têm algum tipo de regulação sobre o uso de redes sociais. No entanto, de acordo com o Instituto, entre as normas existentes, algumas são muito frágeis ou não trazem mecanismos de responsabilização.

Além disso, algumas corporações não possuem qualquer norma específica sobre o tema como as polícias civis do Acre, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Roraima, Amapá e Tocantins, e as polícias militares do Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os dados das PMs do Mato Grosso e Piauí não puderam ser acessados, nem por Lei de Acesso à Informação, nem por outras fontes.

O Instituto Sou da Paz também identificou uma tendência: policiais populares nas redes sociais pela divulgação informal de ocorrências, confrontos armados, transgressões disciplinares, e algumas vezes, com apologia à violência ou discurso de ódio.

O relatório cita, entre outros casos, o de um militar com quase 1,5 milhão de seguidores no Instagram, que cumpriu 30 dias de prisão após declarações sobre violência extralegal no YouTube.

Outro delegado gastava mais de R$14 mil por mês com equipes de filmagem. Um valor maior que o próprio salário. As despesas eram viabilizadas pelos lucros do canal, que chegava a meio milhão de reais por ano.

Para o Instituto Sou da Paz, o fenômeno tem reflexo também nas eleições. Os deputados federais vindos das forças de segurança saltaram de 4, em 2010, para 42 em 2018. De acordo com o Instituto de Estudos Socioeconômicos, em 2022, foram pelo menos 84 eleitos com termos militares ou das forças de segurança.

Diante do uso da imagem corporativa para fins pessoais, o Instituto Sou da Paz recomenda que as corporações proíbam o uso de fardas, brasões e armas; e que as normas sejam tecnicamente claras e rígidas.




Fonte GDF

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