Os Estados Unidos trabalham para formar uma coalizão internacional para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. A proposta, segundo documentos obtidos pela agência Reuters, prevê a criação de um mecanismo que reuniria aliados para atuar na segurança marítima da região após o conflito.
O estreito foi fechado pelo Irã no início da guerra, em fevereiro. Em resposta, os norte-americanos mantêm um bloqueio naval desde abril e pretendem prolongar a medida por vários meses para pressionar Teerã.
A iniciativa exclui países considerados adversários, como Rússia e China, e pode incluir desde ações diplomáticas até presença militar na região. Convocar aliados para resolver o problema que a guerra criou tem sido uma tentativa permanente de Donald Trump, sem resultados até agora.
Negociações seguem travadas
As negociações seguem travadas. Depois de ter a primeira proposta de paz rejeitada pelo presidente Donald Trump, o Irã prepara um novo plano, que deve ser apresentado nos próximos dias com mediação do Paquistão. O impasse gira, principalmente, em torno do programa nuclear iraniano e da exigência dos Estados Unidos para que o tema seja incluído no acordo.
Mesmo com a tentativa de diálogo, o tom voltou a subir. Autoridades iranianas afirmaram que o país está pronto para responder a qualquer nova ofensiva com ataques prolongados e mais intensos, inclusive contra navios norte-americanos na região.
Em meio à crise, o líder supremo do Irã reforçou o discurso de resistência. Em mensagem divulgada pela TV estatal, Mojtaba Khamenei afirmou que o programa nuclear e os mísseis do país são um “patrimônio nacional” e que serão defendidos a qualquer custo. Ele também declarou que os Estados Unidos sofreram uma derrota na guerra e voltou a afirmar que o Golfo Pérsico deve ter um futuro sem a presença norte-americana. As declarações aumentam a pressão internacional e indicam que o cenário ainda está longe de uma solução definitiva.
Manifestações
Nas ruas, milhares de iranianos participaram de manifestações em apoio ao governo e contra os Estados Unidos e Israel. Em Teerã, multidões marcharam com bandeiras e cartazes, reforçando o apoio ao líder supremo e à política do regime. Durante os protestos, autoridades iranianas também fizeram críticas duras aos líderes estrangeiros, em um discurso que reflete o clima de confronto.
As manifestações reforçam o apoio interno ao regime em um momento de incerteza. Com negociações travadas, ameaças de novos ataques e disputas estratégicas no Estreito de Ormuz, o conflito segue sem solução clara e com impactos que podem atingir a economia global.
*Com informações da agência Reuters

