quinta-feira 18, junho, 2026 - 16:25

Brasília

Dia do Orgulho Autista reforça inclusão na prática

Em vez de focar em diagnósticos, características ou limitações, por que não falar so

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Em vez de focar em diagnósticos, características ou limitações, por que não falar sobre respeito e acolhimento às pessoas com autismo?

É justamente o que propõe o Dia do Orgulho Autista, celebrado neste 18 de junho.

Mas, para falar disso, é preciso entender o conceito de neurodiversidade: a ideia de que o nosso cérebro pode funcionar de muitas formas diferentes, e que isso não é doença, não precisa de cura. É natural.

Para quem faz parte do espectro autista, ou quem acolhe filhos nessa condição, a data é uma oportunidade de entender que existem muitas formas de “perceber e vivenciar o mundo”. É o que pensa a moradora de Brasília, Aline Cana Verde, mãe do pequeno Enzo, de 6 anos, que está no espectro autista.

“O autismo não precisa ser visto como algo a ser corrigido, mas como uma forma diferente de existir e perceber o mundo. Vejo diariamente quanto a inclusão, respeito e a compreensão fazem diferença na vida das nossas famílias. A celebra da neurodiversidade importante porque ela mostra que cada pessoa tem seu jeito de aprender seu jeito de se comunicar seu jeito de se desenvolver. O que o mundo precisa fazer acolher mais e julgar menos. Mais do que conscientização, precisamos de inclusão na prática, acessibilidade e combate ao preconceito.

A fala da Aline reforça uma demanda frequente: “mais que conscientização, é preciso de inclusão, na prática”. Um exemplo disso está nas escolas: nessas datas, é comum fixarem cartazes com colagens de conscientização e laços coloridos que simbolizam o autismo. Mas, na prática, o estudante autista participa das aulas no cantinho da sala, pintando desenhos, sem uma atividade adaptada, o que é um direito previsto em lei.

“Inclusão” é a palavra-chave também para Ana Aguiar, que é médica psiquiatra e foi diagnosticada com autismo já na fase adulta. Quando fala do dia do orgulho autista, Ana se emociona e destaca que pessoas do espectro têm potencialidades, mas também direito a ferramentas de inclusão.

“O autismo uma deficiência que se faz necessária algumas adaptações para que possamos exercer as nossas funções sem entrarmos em exaustão. Nós somos plenamente capazes, desde que tenhamos em nossas mãos as ferramentas corretas para funcionarmos. Esse é o orgulho que eu carrego Eu consegui encontrar ferramentas Quando as ferramentas são dadas a qualquer autista Você vê a diferença

Um mundo que processa estímulos, sons e cores de um jeito único. Mas que, na maioria das vezes, não tem cara nem gestos estereotipados. Em muitos casos, para identificação, é comum o uso do colorido “cordão autista”.”Também existe o colar de girassol, usado por pessoas que têm deficiências ocultas ou invisíveis, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O cordão foi criado pela organização Hidden Disabilities Sunflower, cuja diretora para a América Latina, Flávia Callafange, comenta o uso do acessório pela própria filha, e o quanto isso pode ajudar milhares de famílias.

“Foi tanto o impacto que o cordão de girassol causou na vida dela que na primeira semana ela não queria tirar o cordão nem para dormir. As pessoas que reclamavam que ela era agitada começaram a perguntar o nome dela, para onde que ela ia viajar. O mundo para ela realmente mudou. Ele pode ser muito libertador para as famílias que têm medo de sair com seus filhos ou para pessoas que têm medo de sair sozinhas de casa. Se você está com ele, você vai receber empatia, respeito, solidariedade e paciência. O cordão pode tirar do isolamento social muitas famílias.”

Ouvir cada um desses relatos pode ajudar a entender que o mundo não precisa, e nem deve, ser exaustivo para as famílias de pessoas com autismo. É entender que o orgulho autista combate o estigma, os estereótipos e foge de espaços limitados, sem escuta, sem acolhimento e sem inclusão. O mundo que o Orgulho Autista espera, e do qual tem direito, é onde todas as formas de existir sejam respeitadas.




Fonte GDF

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