O atacante egípcio Zico, apelidado em homenagem ao ídolo que fez história no Flamengo, teve o segundo problema com uniforme na Copa do Mundo. Na estreia contra a Bélgica, a sua camisa foi rasgada, em um dos cinco casos já registrados na competição, todos da fabricante alemã Puma. Neste domingo (21), contra a Nova Zelândia, o número 11 na frente se soltou: um dos numerais se desprendeu totalmente e o outro ficou pendurado.
Nas duas ocasiões, Zico acabou trocando a camisa no decorrer da partida. No domingo à noite, ele fez a troca durante a parada técnica do segundo tempo. O número 11 saiu logo após ele marcar o primeiro gol na virada por 3 a 1 sobre a Nova Zelândia, a primeira vitória do Egito na história das Copas do Mundo.
O caso provocou dúvida entre torcedores que assistiam à partida e se questionaram por que o jogador egípcio estava usando o número 1, normalmente associado ao goleiro.
O outro dano ao uniforme de Zico, na partida contra a Bélgica, se deu na disputa com um adversário que puxou a sua camisa. O mesmo aconteceu em outros quatro incidentes já registrados.
O primeiro foi com o tcheco Pavel Sulc, na estreia contra a Coreia do Sul. Em seguida, com o paraguaio Gustavo Gómez, no jogo contra os EUA (o zagueiro é capitão do Palmeiras, clube que também usa material esportivo da Puma). E depois ocorreu o mesmo com marroquino El Aynaoui, contra a Escócia.
O caso inusitado aconteceu com o ganês Caleb Yirenkyi. Ele fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Panamá nos acréscimos do segundo tempo. Na efusiva comemoração, um companheiro de equipe puxou a camisa pela gola e provocou o rasgo.
Tecnologia promete tecido ultraleve
Em sua página oficial no Brasil na internet, a empresa descreve a camisa de Portugal, que usa o mesmo material das demais seleções. A camisa portuguesa é a única disponível para venda no país na versão “jogador”, chamada também de “Authentic”, como sendo “pronta para partidas, é feita com o tecido Ultraweave da Puma e apresenta um caimento atlético para desempenho em nível de elite”.
A empresa informa que “o tecido de performance ultraleve é projetado para movimentos naturais e sem restrições”. Sobre a funcionalidade, descreve que “as tecnologias dryCELL e ThermoAdapt são desenvolvidas para eliminar o suor e regular a temperatura, mantendo o atleta seco e confortável”. Diz ainda que sua confecção é feita com 50% de materiais reciclados.
A composição descrita de materiais é a seguinte: 100% poliéster nas inserções; 50% poliéster e 50% elastomultiester no revestimento; e conta no reforço com 97% poliéster e 3% elastano.
Em 2021, ao anunciar a nova camisa da Itália, a imprensa local destacou o tecido Ultraweave da Puma como sendo “ultra-lightweight”. Ela foi descrita à época como “a camisa mais leve do mundo”, pesando 72 gramas. A seleção italiana, desta vez uniformizada pela Adidas, não se classificou para a Copa de 2026, a sua terceira ausência consecutiva.
No Brasil, a camisa principal de Portugal (vermelha) é vendida no site da empresa por R$ 599,99 em até 10 vezes ou com 5% de desconto no Pix, com frete grátis. A camisa versão torcedor, de qualidade inferior, como é comum em todas as camisas de futebol e outros esportes, sai por R$ 449,99.
Além das seleções que tiveram camisas rasgadas e de Portugal, a Puma fornece uniformes para Senegal, Costa do Marfim, Suíça, Nova Zelândia e Áustria.
Outro lado
Questionada pela Folha, a Puma respondeu em nome da diretora sênior de Comunicação Corporativa, Anne Putz, do escritório na sede em Herzogenaurach, na Alemanha.
“Para este torneio, a Puma apresentou seus mais recentes uniformes de alto desempenho, desenvolvidos com materiais ultraleves avançados, aprimorados ao longo de várias gerações de produtos, para maximizar a liberdade de movimento e o conforto em situações de alta intensidade durante as partidas. Os materiais são otimizados para atender a requisitos essenciais de desempenho, como respirabilidade, elasticidade e controle de umidade, garantindo que as demandas técnicas do futebol de elite sejam atendidas a cada minuto do jogo”, diz o comunicado,
“Esses requisitos de desempenho significam que o uniforme foi projetado especificamente para ser o mais leve possível. Testes internos comparativos com as principais marcas de futebol mostram que o uniforme de jogo da Puma foi projetado para ser significativamente mais leve do que uniformes similares em campo, proporcionando aos jogadores de elite agilidade e conforto otimizados no calor do verão.”
“O feedback dos jogadores mostrou que eles preferem materiais mais leves em seus uniformes para obter um melhor desempenho no mais alto nível. É por isso que, durante o desenvolvimento dos uniformes, priorizamos a leveza em combinação com movimento, respirabilidade e conforto. Como o futebol é um esporte de alto contato, as peças de roupa podem ser afetadas quando os uniformes são submetidos a força intensa ou estresse físico extremo. É importante ressaltar que essas situações não impactam o desempenho dos jogadores.”
Desta forma, a empresa informou que não está tomando nenhuma medida imediata para alterar ou reforçar a camisa das seleções que abastece, nem cogita a troca de uniformes.
Sobre o caso do número que soltou na camisa do egípcio Zico, a Puma disse que analisa o caso.
Questionada se a empresa tem algum programa para reembolso ou troca em caso de dano semelhante em camisas vendidas para o público, conhecidas como “réplica” ou “camisa de torcedor”, a Puma respondeu: “As camisas oficiais de jogo da Puma são projetadas especificamente para um desempenho de elite em campo, enquanto as réplicas disponíveis para os consumidores são produzidas com materiais e construção diferentes para uso diário”.
Mesmo problema em 2016 virou piada
A Puma enfrentou o mesmo problema na Eurocopa, em 2016. A Suíça teve cinco camisas rasgadas numa mesma partida. Após o jogo, o atacante suíço Xherdan Shaqiri brincou: “Espero que a Puma não faça preservativos”.
Na ocasião, a empresa alemã emitiu comunicado informando que os rasgos se deram devido a um “lote defeituoso” e que os “infelizes problemas” não voltariam a se repetir.

