Um latereio ocorre quando, em vez de o lateral ser cobrado para o pé de um companheiro próximo, se joga a bola na área adversária, como em um escanteio. A palavra, então, é a junção de lateral com escanteio. O “almojanta” do futebol.
É um lance feio. A bola vem devagar, sem efeito, por cima, e quem a cabeceia o faz geralmente para trás. Apesar disso, é cada vez mais utilizado.
Ocorreu uma vez por jogo em 2014 e, nesta Copa, já passa de duas. A mesma tendência aparece no Campeonato Inglês, principal liga do mundo, onde quase triplicou nas últimas duas temporadas.
Mas, estética à parte, o latereio é útil?
Para responder, precisamos de uma base de comparação: o lateral cobrado da forma usual, para o pé de um companheiro. Só que não podemos colocar todos os laterais nessa balança, já que nem todo arremesso tem como virar um latereio, apenas os próximos à área adversária.
Por isso, nosso parâmetro é os laterais comuns cobrados nos últimos 35 metros do campo.
Nas últimas quatro Copas, são pouco mais de 330 latereios contra quase 3.000 laterais comuns.
Com esses dois grupos, a primeira pergunta que fazemos é se o latereio mantém a posse de bola. Não mantém. Um lateral comum encontra um companheiro em quase nove de dez cobranças. O latereio, em menos da metade. Mas a desvantagem para por aí.
Considerando os 15 segundos (tempo médio de uma jogada) após a cobrança, há 73 casos de finalização a partir do latereio —20% das vezes, quase três vezes mais que um lateral comum (7%).
Quanto a gols, embora a amostragem seja pequena, a história se repete: vantagem da ordem de quatro vezes e meia (1,49% contra 0,34%) em relação ao lateral comum.
No fim das contas, perder em posse de bola não conta tanto, pois mantê-la não é o plano: o latereio brilha na confusão. Quer que a bola pingue na área adversária num vaivém de cabeçadas, rebotes e desvios dos dois times, até cair limpa para um chute.
A bagunça planejada pelo lance fica clara ao analisar os cinco gols do período. Somente dois são “limpos”, em que a posse de bola se mantém no time que cobra. Há um gol contra e outros dois em que a bola rebate na área, volta, vira um cruzamento com o pé e acha a cabeça de um companheiro de time.
Em suma, o nome é feio e o lance é feio, mas “centroavante vive de resto”.

