O atacante Ryan Mendes, capitão da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo, é investigado pela polícia da Nova Zelândia após ser acusado de estuprar uma brasileira durante o Fifa Series, torneio organizado pela Fifa em março, em Auckland. A mulher trabalhava como tradutora da delegação cabo-verdiana e relata ter sido atacada no hotel onde a equipe estava hospedada.
A reportagem procurou a Federação Cabo-Verdiana de Futebol pelo email disponibilizado no site às 12h desta quinta-feira (2), mas não obteve resposta. Antes da coletiva pré-jogo da equipe, a entidade avisou que só seriam aceitas perguntas sobre a partida.
A investigação foi revelada pelo GE e confirmada pela Folha.
A polícia neozelandesa disse ter recebido a denúncia em 10 de abril e confirmou que o caso está sob investigação, mas não citou o nome dos envolvidos. A Fifa informou que acompanha o episódio em contato com as autoridades locais e que não comenta eventuais procedimentos disciplinares em andamento.
Conforme documento feito pelas advogadas da mulher, a brasileira mora na Nova Zelândia desde 2017 e foi contratada pela Federação Neozelandesa de Futebol para atuar como tradutora da delegação de Cabo Verde durante o Fifa Series. O trabalho previa disponibilidade integral durante a estadia da equipe, razão pela qual ela ficou hospedada no mesmo hotel dos jogadores e integrantes da comissão técnica.
De acordo com o relato apresentado à polícia, a brasileira foi convidada pela coordenação do evento para uma reunião à noite. Ao chegar ao local, percebeu que se tratava de um encontro festivo, do qual participavam integrantes da delegação de Cabo Verde, entre eles o capitão Ryan Mendes. Ainda durante o evento, começou a passar mal e voltou sozinha para o quarto.
Ela relata que trancou a porta, mas, pouco depois, alguém bateu. Imaginando tratar-se de um chamado relacionado ao trabalho, abriu. Ainda conforme o depoimento, Ryan Mendes entrou no local, a agrediu fisicamente e a estuprou.
Imagens enviadas à reportagem mostram cortes na boca, hematomas no pescoço, arranhões e até mesmo uma marca de mordida nas costas.
Ainda conforme o documento, ela fotografou as lesões logo após o episódio. Como ainda restavam dois ou três dias de trabalho, permaneceu com a delegação até o fim da viagem.
Ao voltar para casa, diz, contou o que havia acontecido ao marido, procurou atendimento médico especializado, realizou exames periciais e registrou a ocorrência na polícia. Segundo as advogadas, o serviço de saúde indicou que a brasileira ficou próxima à morte em razão das esganaduras.
O relato registra ainda que, na manhã seguinte, a brasileira contou o que havia acontecido à única mulher que integrava a delegação cabo-verdiana. Depois, já em casa, tentou contato com a Federação Cabo-Verdiana de Futebol, mas, de acordo com as advogadas, não obteve retorno.
Em maio, enviou notificações extrajudiciais à federação, à Fifa e ao jogador. As advogadas da brasileira sustentam que a Fifa instaurou um procedimento disciplinar e agendou o depoimento da mulher.
Em nota, a Fifa declarou que “leva qualquer alegação de má conduta extremamente a sério” e disse possuir um procedimento específico para denúncias envolvendo pessoas ligadas ao futebol.
“Como regra geral, os órgãos judiciais independentes não comentam alegações que possam ter recebido nem informam se há investigações em andamento. A Fifa está em contato com as autoridades da Nova Zelândia. Não podemos comentar além disso neste momento”, informou a entidade.
A polícia neozelandesa confirmou que a denúncia foi registrada em 10 de abril, em Auckland, e informou apenas que a investigação segue em andamento.
Ryan Mendes jogou as três partidas de Cabo Verde como titular na Copa do Mundo até aqui, com 251 minutos somados no torneio. Ele deverá estar em campo nesta sexta-feira (3), contra a Argentina, pela fase de 32 da Copa do Mundo.

