O técnico do Paraguai, Gustavo Alfaro, conhecido por suas declarações francas, criticou neste domingo (21) a elite empresarial do futebol, acusando-a de promover uma intromissão comercial na Copa do Mundo e de marginalizar os torcedores com preços exorbitantes de ingressos em um esporte que tem suas raízes na pobreza.
Em declarações não programadas à imprensa durante um treino, Alfaro prometeu que sua equipe fará de tudo para avançar à próxima fase e disse esperar que mais torcedores do país possam viajar para apoiar o time, somando-se à diáspora paraguaia que já tem comparecido aos jogos.
“Conheço gente que está passando por um momento muito difícil, porque viajar hoje em dia é muito complicado, muito caro. As Copas do Mundo são desproporcionais, os custos, e é por isso que a gente entende o sacrifício que as pessoas fazem para pagar um ingresso”, disse.
“A essência do futebol se perde. O futebol não pode ser um negócio, tem que ser futebol. Um grupo muito seleto consegue aproveitá-lo.”
“O futebol é de todos nós, principalmente dos mais pobres, porque o brinquedo mais barato para jogar era uma bola que, às vezes, era difícil de comprar, mas com um brinquedo só, 22 pessoas podiam jogar. Por isso, o poder do futebol é imenso. É isso que temos que defender”, acrescentou Alfaro.
“Nascido da adversidade”
O treinador disse que o lado comercial do futebol está se tornando invasivo e interrompendo o fluxo das partidas com pausas para hidratação que abrem espaço para mais publicidade.
“É um intervalo comercial, não um intervalo de hidratação”, disse. “O jogo está saindo do controle.”
O Paraguai enfrenta a Austrália na quinta-feira em uma partida decisiva do Grupo D, depois da virada surpreendente em sua campanha, com uma vitória aguerrida por 1 a 0 sobre a Turquia após uma goleada de 4 a 1 sofrida diante dos Estados Unidos.
Alfaro disse que sua equipe vem de origens humildes, “nasceu da adversidade” e provará contra a Austrália que merece seu lugar na Copa do Mundo, entregando o que ele descreveu como uma mensagem às crianças da rua.
“Ser menos, para nós, significa ser mais. Podemos eventualmente ser menos do que todas as seleções que jogam aqui na Copa do Mundo, mas não nos sentimos menores —sentimos que, se estivermos todos juntos, de alguma forma podemos ser mais”, disse.

