Assédio moral, agressões verbais e físicas. Essas são algumas formas de violência que têm se tornado comuns na rotina de muitos médicos, principalmente entre as mulheres. De acordo com levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, entre 2018 e 2025 foram registrados 987 casos de agressão contra médicos no exercício profissional.
A maioria das notificações ocorreu em unidades públicas de saúde, sendo as principais agressões verbais, com quase 460 registros. Já as ocorrências de assédio moral foram pouco mais de 200.
Os dados foram apresentados em encontro promovido entre o Conselho Regional e o Federal, em que foram debatidas ainda a implementação de medidas de segurança para os profissionais, como um botão de pânico.
O conselheiro do CREMERJ e do Conselho Federal de Medicina, Raphael Câmara, destacou o grande número de casos, especialmente de violência física contra médicas, e as dificuldades para a realização da denúncia.
“Foram 90 casos de agressões físicas, sendo 60 contra mulheres e 30 contra homens. Isso levando em conta a subnotificação que a gente sabe que é enorme. Muitas vezes o médico acaba preferindo não notificar. Isso tem que mudar, essa cultura. Toda agressão deve ser notificada. E o que a gente percebe também é que em vez de diminuir, esse problema vem aumentando. Nos últimos 3 anos, nós temos quase o dobro de agressões notificadas em relação aos 4 anos anteriores”.
O médico falou ainda sobre a necessidade da criminalização desses atos e da prática de constrangimento contra os profissionais que querem denunciar.
“As autoridades públicas da segurança têm que tratar isso como crime. Muitas vezes o que acontece é que na própria unidade de saúde, o médico, a médica, é desmotivado, é constrangido, inclusive, a não denunciar”.
Ainda de acordo com Raphael Câmara, a segurança dos médicos deve incluir a notificação imediata à Polícia, acompanhamento dos médicos por gestores à delegacia, assistência psicológica e jurídica, instalação de câmeras nas unidades de saúde e transferência do local de trabalho, caso necessário.
*Com produção de Dayana Vitor

