O cenário global para jornalistas é o mais difícil das últimas décadas.
Apesar de a situação mundial ser a pior dos últimos 25 anos. O Brasil melhorou no ranking de liberdade de imprensa.
Os dados são do relatório da organização ‘Repórteres Sem Fronteiras’ divulgado nesta quinta-feira (29)
A pontuação média global do ranking de liberdade de imprensa nunca foi tão baixa.
Mais da metade dos países do mundo está em uma situação considerada “difícil” ou “muito grave”.
Há algumas exceções, como o Brasil, que teve relativa melhora, com um avanço 58 posições desde 2022.
Hoje, o país ocupa a posição número 52, no ranking global, explica o diretor da organização para América Latina, Artur Romeu.
“O Brasil é um ponto fora da curva se a gente observar a tendência global dessas últimas edições do ranking. Esse avanço do Brasil nos últimos anos, um dos marcadores é um cenário de volta a uma normalidade de relação institucional democrática entre governo e imprensa. Claro que as tensões permanecem. Um outro aspecto que a gente tem que chama atenção é que desde 2022 a gente não tem jornalistas assassinados no país”.
O resto do continente americano perdeu 14 pontos, em média, no mesmo período. Queda parecida com regiões como o Oriente Médio.
A tendência mais preocupante é “criminalização do jornalismo”, que é o uso indevido de leis de segurança nacional e de processos contra profissionais para impedir investigações de interesse público.
O documento cita o exemplo dos Estados Unidos, que caíram sete posições, por causa do uso sistemático do Estado contra a imprensa, além da crise de confiança agravada por discursos políticos.
Casos semelhantes com a Argentina, que também caiu; assim como Equador e El Salvador, entre os países citados pelo diretor do Repórter Sem Fronteiras, Artur Romeu.
“A gente vê em vários desses países que eu mencionei uma lógica de hostilidade sistêmica ao trabalho da imprensa, que capitaliza ganhos eleitorais ao alimentar uma lógica de polarização política em que a imprensa e os jornalistas são alvos centrais, parte centrais dessa estratégia. Governos se elegem não mais apesar de atacar a imprensa, mas porque atacam a imprensa”.
Nicarágua, Cuba e Venezuela permanecem nos níveis mais baixos de liberdade de imprensa no continente.
Por outro lado, lá no topo do ranking, a Noruega se mantém como o país com maior liberdade de imprensa pelo décimo ano seguido, logo acima de outros países do norte europeu.

