A Anvisa adiou, para esta sexta-feira (15), o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo — fabricante dos produtos da marca Ypê — contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante.
O caso estava previsto para ser votado nesta quarta-feira, na 8ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada, mas foi retirado de pauta após a empresa e a agência iniciarem reuniões técnicas para mitigação dos riscos sanitários identificados.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, informou que a Química Amparo apresentou os investimentos realizados, intensificou os esforços para corrigir as irregularidades e se comprometeu a entregar um plano de ação nesta quinta-feira.
“A Anvisa e a empresa estão realizando reuniões técnicas para a mitigação do risco sanitário identificado. A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para a adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar medidas para a correção dessas ações amanhã, no dia 14 de maio de 2026, com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias destinadas à Correção das não conformidades identificadas.”
A resolução foi motivada por uma inspeção que apontou falhas em etapas críticas da produção — incluindo problemas em garantia da qualidade, produção e controle. Os lotes afetados são identificados pelo número final 1 no código do frasco.
Leandro Safatle explicou que foram detectadas 76 irregularidades, abrangendo desde falhas graves relacionadas à qualidade microbiológica, com identificação de bactérias pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados, além de deficiências no controle de materiais de embalagem.
Apesar de o recurso da empresa ter suspendido temporariamente o recolhimento dos produtos, a Anvisa mantém a recomendação para o consumidor não usar os produtos listados na resolução.
“Reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados na RE número 1.83426 e de buscar o serviço de atendimento ao consumidor da empresa. O tema retornará para avaliação e deliberação deste colegiado na próxima sexta-feira”.
O presidente da Anvisa também alertou para o que chamou de “ambiente comunicacional fragmentado”, com o compartilhamento de desinformação nas redes sociais e o risco de politização do caso. Leandro Safatle destacou que a resolução do órgão partiu de uma inspeção conjunta da Anvisa com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal de São Paulo, o que afasta qualquer leitura política da decisão.

