Mulheres e pessoas negras ganharam mais espaço no alto escalão do serviço público de 1999 a 2025. É o que revela levantamento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Fundação Lemann e o Movimento Pessoas à Frente.
De acordo com o estudo, as mulheres responderam por 25% dos cargos de direção no período apontado. Nos dados mais recentes, elas se aproximam de 40%. Já as pessoas negras ocupavam 17% dos cargos, mas apenas 3% eram pretas, enquanto 14% eram pardas.
A pesquisa identificou também que o avanço na participação de mulheres e de pessoas negras aconteceu sobretudo a partir de 2022.
Eduardo Couto, líder de conhecimento do Movimento Pessoas à Frente, explica que embora esses índices ainda não reflitam a pluralidade total da sociedade brasileira, já representam avanços relevantes.
“A importância disso, eu vejo a partir de dois olhares. Primeiro de uma burocracia representativa, que realmente represente a população brasileira. A gente tem a maioria de mulheres no serviço público e é importante que a gente tenha representada também nos cargos de tomada de decisão. E os resultados para a administração pública são importantes. Porque quando você tem uma diversidade nesses cargos, você tem diversos olhares sobre um problema público a ser resolvido e para soluções deles também”.
Os dados mostram ainda que as indicações de fora do serviço público têm funcionado como uma das portas de entrada para mais diversidade, já que mulheres e pessoas negras aparecem com mais frequência entre os ocupantes recrutados externamente. A maior diversidade, porém, tem se concentrado em ministérios de pautas temáticas, como Igualdade Racial e Mulheres.
Eduardo Couto reforça a necessidade da incorporação de medidas que garantam essa pluralidade em todo o serviço público.
“Eu acho que a gente precisa institucionalizar práticas que garantam acesso, ascensão e permanência, sobretudo de mulheres e pessoas negras, mas também outros grupos que são importantes dentro do serviço público. Por exemplo, em processos de pré-seleção, em que essas lideranças vão passar por análise de seus currículos, uma entrevista, que se chegue a uma lista de quatro pessoas e essa lista precisa ser paritária. Uma mulher, uma mulher negra, um homem, um homem negro”.
Também é apontado que a maior parte dos cargos de dirigentes no serviço público é ocupada por servidores de carreira com formação superior e experiência prévia, em oposição ao recrutamento fora do serviço público, que chegou a números elevados no início dos anos 2000. A mudança ocorre em alinhamento com normas que fixaram percentuais mínimos de servidores de carreira nestes cargos.

