domingo 24, maio, 2026 - 14:07

Brasília

Adoção tardia: conheça a história do cabeleireiro que adotou 4 irmãos

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No Brasil, a maioria das pessoas habilitadas para adoção ainda procura bebês ou crianças pequenas. Já meninos mais velhos, negros ou grupos de irmãos costumam enfrentar mais dificuldades para encontrar uma família.

Foi nesse contexto que o cabeleireiro Alexandre Rank encontrou, em uma plataforma de busca ativa, o cadastro de uma menina de quatro anos acolhida em um abrigo no interior da Bahia. Após iniciar o processo de aproximação e ir até o local para conhecer a criança, ele descobriu que ela tinha outros três irmãos.

“Quando eu cheguei lá, a minha filha mais nova veio correndo do nada e falou assim: ‘pai, você veio’. É uma sensação, não sei te explicar, mas era a sensação que eu tinha de que, realmente, ali, eu tinha encontrado a minha filha. Só que até aí eu não sabia que eram vários irmãos, né?  Nas visitas de aproximação, eu fui conhecendo os irmãos. Foi uma coisa, assim, de realmente amor à primeira vista. E aí quando eu disse à minha advogada que eu decidi que eu queria trazer os quatro, ela me disse: ‘Alex, pelo amor de Deus, pensa direitinho, tem que dar educação, você tem que dar moral, tem que dar princípio’. E aí eu falei com ela: ‘ou eu trago todos os quatro ou eu não vou trazer nenhum mais'”.

A adoção tardia envolve desafios tanto para as crianças quanto para as famílias que adotam. Muitas vezes, os jovens já passaram por situações de abandono, violência ou rompimento de vínculos, o que exige tempo e construção de confiança.

A juíza da Infância, Juventude e Família Adida Alves dos Santos explica que o processo de adoção busca garantir segurança e estabilidade para todos os envolvidos.

“As visitas são necessárias para a construção do vínculo. Verificando-se que a relação entre pretendentes e crianças ou adolescentes tem sido benéfica, inicia-se o estágio de convivência e o acompanhamento, que pode durar até 180 dias. Após esse período, os pretendentes têm até 15 dias para propor a ação de adoção”.

Alexandre Rank conta que a adaptação não foi fácil.

“Eu tive muito problema com um dos meus filhos pelo abandono que [ele] já tinha [passado],  E aí eles preferem rejeitar do que serem rejeitados novamente. Até que, com muito custo, toda vez que ele dizia ‘não gosto’, eu dizia: ‘eu te amo, você não gosta de mim, mas eu te amo, meu amor é tão grande que dá pra dividir pra nós dois’. E aí ele viu que realmente eu não ia desistir dele como pai, né? E aí depois eu tive outros problemas com preconceito. Porque a minha adoção é interracial, né? Os meus filhos são negros e eu sou loiro do olho verde. Por eu ser um pai solo, um pai gay, enfim”.

Hoje, Alexandre diz que a paternidade transformou a vida dele. Passou a entender a adoção como um encontro de afetos e aprendizagens.

“A melhor coisa que eu fiz na minha vida foi ter escolhido crianças grandes. Eu recebi até um prêmio em Brasília por adoção tardia, porque crianças, a partir de três anos, ninguém quer mais. Hoje, vendo a progressão que a coisa tomou, para quem chegou sem saber ler, escrever, meu filho sendo elogiado pela educação, pelo respeito. Isso aí não tem preço, né?”.




Fonte GDF

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