Um acordo entre o Ministério da Saúde, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) vai ampliar o atendimento em emergências de saúde mental para jovens entre 13 e 24 anos, por meio do programa Pode Falar, um canal de escuta onde é possível desabafar e receber orientação. Com a parceria, a capacidade mensal de atendimentos passa de mil para 11 mil, o equivalente a mais de 15 por hora.
O programa oferece atendimento humanizado e individual e está disponível de segunda a sábado, das 8h às 22h, pela plataforma podefalar.org.br. O acolhimento é feito por estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes áreas da saúde.
“Ter um espaço seguro de escuta, sem julgamentos, é o primeiro passo para que adolescentes e jovens deem nome ao que sentem, saibam com quem contar e busquem ajuda nos serviços públicos”, afirma Gabriela Mora, especialista em Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef.
“É um serviço inovador, que funciona como uma plataforma e que os adolescentes acessam via WhatsApp, criando, então, essa possibilidade de ter um espaço seguro, de acolhimento, de escuta sem julgamento, para que pudessem falar sobre os seus sentimentos, nomear, entender o que estão sentindo e também ir ampliando seu recurso de possibilidades sobre o que fazer, com quem contar, que serviços existem e podem acessar para ajudar na saúde mental.”
Indígenas
Em cinco anos de existência, o Pode Falar já atendeu mais de 44 mil adolescentes e jovens. O serviço conta com mais uma novidade, explica Gabriela:
“Essa parceria com o ministério nos permitiu ainda nos aproximarmos e ampliarmos um trabalho feito com a Fiocruz, que agora conseguiu fazer uma mobilização de atendentes indígenas da etnia Xakriabá, no norte de Minas, para fazer o acolhimento de jovens que acessem o Pode Falar e optem por serem atendidos também por indígenas.”
Além da escuta, o programa oferece informações sobre como acessar atendimentos presenciais de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS)
Dados de 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE, mostram que 28,9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relatam sentir tristeza na maior parte do tempo, enquanto 18,5% disseram sentir que “a vida não valia a pena ser vivida”.

