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A busca científica pelo gramado perfeito para a Copa – 20/06/2026 – Esporte

Enquanto você se acomoda para assistir à Copa, maior evento esportivo do mundo —39 di

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Enquanto você se acomoda para assistir à Copa, maior evento esportivo do mundo —39 dias, 48 seleções, 104 partidas e mais de 1.200 pares de pés calçados com chuteiras—, reserve um pouco de atenção para o gramado dos estádios.

A Fifa, órgão internacional que comanda o futebol, exige que todas as partidas da Copa do Mundo sejam disputadas em grama natural.

Além disso, a experiência de jogo —incluindo o quique e o movimento da bola, bem como a “sensação” dos jogadores— deve ser parte consistente e presente em todos os estádios. E o campo precisa estar verde.

Alcançar esse ponto não é tarefa fácil. A Copa do Mundo de 2026 envolve 16 estádios —5 deles com cobertura e 8 com grama artificial permanente (que precisa ser instalada por cima)— espalhados por três países, cada qual com um clima muito diferente.

“Temos uma área gigantesca para o torneio. Tentar unificar tudo de maneira uniforme tem sido nosso maior desafio”, disse Alan Ferguson, gerente sênior de gestão de gramados da Fifa.

Sob a orientação de Ferguson, a Fifa reuniu uma equipe de ponta de especialistas em gramados, liderada por John Sorochan, da Universidade do Tennessee, e John Rogers, da Universidade Estadual do Michigan, que trabalham desde 2018 para determinar a melhor maneira de realizar o sonho verde.

A seguir, as conclusões a que chegaram.

O ponto-chave biológico

Existem duas dúzias de espécies de grama para gramados; nenhuma é igual a outra. A grama azul do Kentucky é uma espécie de clima frio, adaptada a níveis mais baixos de luz e a estações de crescimento mais curtas.

A grama das Bermudas, de clima quente, não suporta sombra. O azevém perene, gramínea em tufos, de clima frio, germina com rapidez, só que é mais vulnerável à formação de buracos.

Ideais para campos de golfe e de futebol, a grama das Bermudas e a grama azul do Kentucky crescem lateralmente e podem ser cortadas bem rente ao solo.

Cada uma dessas gramíneas (e suas combinações) tem uma taxa própria de crescimento, necessidade de umidade e altura ideal de corte, além de apresentar características físicas diferentes ao contato com a chuteira.

Para observar como diversas combinações de gramados respondiam aos movimentos dos jogadores, a equipe de Sorochan inventou o fLEX, dispositivo portátil equipado com um pé impresso em 3D calçado com uma chuteira de futebol.

le atinge o gramado com o mesmo impacto, a mesma aceleração e o mesmo movimento de corte de um atleta de 76 quilos (o peso médio de um jogador da Copa do Mundo masculina) e, em seguida, mede quanta energia o gramado absorve e devolve ao jogador.

“Outras máquinas que eram usadas anteriormente nesse trabalho faziam só uma queda vertical, como se fosse um míssil ou algo assim. É a primeira vez que temos algo que imita de verdade um impacto consistente do pé”, observou Sorochan.


Também é preciso considerar o comportamento da bola.

Segundo o Manual de Testes de Gramados da Fifa, um modelo com certificação Fifa Quality Pro — quando lançado de um aparelho aprovado de um metro de altura, como a Rampa Turf-Tec —deve rolar de cinco a oito metros, em testes aplicados em diferentes pontos e direções do campo.

Além disso, quando uma amostra é solta verticalmente de uma altura de dois metros com o testador de rebote de bolas RedDrop, deve ricochetear entre 60 centímetros e um metro.

Isso se aplica a superfícies naturais ou sintéticas, à grama azul ou à kikuyu, ao nível do mar ou a uma altitude de 2.225 metros na Cidade do México. Sorochan e seus colegas fizeram esses testes e muitos outros.

“Comparamos a grama das Bermudas com a grama azul, o azevém e a grama sintética. E lançamos uma bola de futebol a 55 quilômetros por hora em um ângulo de 17 graus, usando uma câmera de alta velocidade para medir o coeficiente de restituição da bola ao sair, a velocidade e tudo o mais”, contou.

O veredito? Os estádios a céu aberto em Miami e Monterrey, no México, usam a grama das Bermudas, enquanto os estádios cobertos e os do norte usam uma mistura personalizada de 84 por cento de grama azul do Kentucky e 16 por cento de azevém.

Sorochan espera que o resultado seja uma experiência de jogo “uniforme e homogênea em todos os 16 estádios”.

Tragam o gramado para nós

O gramado para 15 estádios foi cultivado em nove fazendas de grama espalhadas pelo Canadá, pelo México e pelos Estados Unidos. (Na Cidade do México, o gramado foi cultivado a partir de sementes no próprio estádio.)

Para a viagem mais longa, duas dúzias de caminhões refrigerados transportaram rolos de gramado por 2.253 quilômetros, rodando durante 30 horas, desde o Colorado até Atlanta, na Geórgia.

Uma das inovações para 2026 é uma técnica agrícola conhecida como “plantio de grama sobre plástico”.

Tradicionalmente, quando a grama é colhida, as raízes são cortadas, o que pode causar choque de transplante, resultando em um gramado menos resistente que leva mais tempo para se adaptar ao novo local.

Para a Copa do Mundo, a grama foi cultivada sobre uma camada fina de areia em cima de uma lona plástica. As raízes crescem para baixo e depois para os lados, entrelaçando-se em um tapete denso e resistente. O gramado pode então ser cortado em faixas, enrolado para transporte e instalado sem danos.

Uma vez no local, o gramado é reforçado com fibras plásticas, costuradas por uma máquina que lembra uma combinação de rolo compressor e máquina de costura. As fibras servem de âncoras para as raízes naturais e agem como um trançado de vergalhões para estabilizar o campo.

Os campos estão vivos

Diferentemente de uma quadra de basquete ou de uma pista de hóquei, um campo de futebol é uma entidade viva, que respira. Depois que é instalado, o gramado precisa ser mantido vivo por várias semanas —tarefa especialmente difícil em estádios com cobertura.

“O avanço no projeto dos estádios meio que passou por cima do problema da manutenção do campo de futebol. Quando passaram a ter cobertura envolvente — o teto fechado para proteger os torcedores e proporcionar uma experiência melhor —, os estádios começaram a bloquear elementos como o ar e a luz solar”, explicou Alan Ferguson.

Os gramados temporários para a Copa do Mundo de 2026 contam com um verdadeiro sistema de suporte vital.

Sob os rolos de grama, há uma camada de vários centímetros de areia que, além de proporcionar um amortecimento firme, mantém a oxigenação das raízes mesmo depois de semanas de jogos.

Logo abaixo, uma camada de cascalho ou de módulos plásticos Permavoid integra um sistema de drenagem bidirecional, capaz de injetar água ou bombeá-la para fora.

Diariamente, estruturas móveis com painéis de LED para cultivo (que pesam duas toneladas) operam durante 12 horas sobre o campo, enquanto ventiladores industriais circulam o ar na superfície para prevenir o surgimento de fungos.

Mesmo depois do início do torneio, os testes continuam, todo dia, em cada estádio, para manter os padrões.

“Vamos ficar de olho na tração, na umidade e na dureza da superfície. Não queremos danificar os campos com testes em excesso”, Ferguson concluiu.



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