sábado 18, abril, 2026 - 5:39

Saúde

Infectologista explica se é possível identificar doenças pelo cheiro

Você já percebeu um odor diferente no corpo ou no hálito e ficou em dúvida se aquilo

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Você já percebeu um odor diferente no corpo ou no hálito e ficou em dúvida se aquilo poderia indicar algum problema de saúde? A resposta é: depende. O risco de interpretação errada é maior do que muita gente imagina.

Segundo especialistas, algumas condições realmente podem alterar o odor do corpo, mas a informação está longe de ser um método confiável de diagnóstico.

Quando o odor pode sinalizar algo no organismo

O endocrinologista Fábio Carra, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, explica que doenças metabólicas podem, sim, provocar mudanças perceptíveis no cheiro do paciente.

“Distúrbios metabólicos levam ao acúmulo de substâncias químicas que não são adequadamente processadas. Esses compostos são eliminados pela respiração, suor e urina, gerando alterações de odor”, afirma.

Um exemplo clássico é a cetoacidose diabética, em que o hálito pode apresentar cheiro adocicado ou frutado. Isso acontece devido à presença de corpos cetônicos no organismo, comum em quadros de diabetes descompensada.

Além disso, alterações hormonais também influenciam o odor corporal. Durante a puberdade, por exemplo, o início da atividade das glândulas sudoríparas, estimuladas por hormônios, muda completamente o cheiro do corpo.

Outro ponto importante é que o cheiro corporal não vem apenas do organismo em si, mas da ação de bactérias na pele. “As glândulas liberam substâncias inicialmente inodoras, que são transformadas em compostos com cheiro pelas bactérias”, explica o médico.

Apesar dessas associações, usar o odor como ferramenta de diagnóstico é um erro comum e potencialmente perigoso. O infectologista Cristiano Gamba, do Hospital Samaritano Paulista, também em São Paulo, é direto: não é possível identificar infecções apenas pelo cheiro.

“Hoje não consideramos o odor um meio de diagnóstico seguro. Não dá para definir qual infecção está presente apenas com base nele”, afirma.

Segundo o médico, até existem situações em que o cheiro chama atenção, como feridas crônicas de pele, que podem apresentar odor forte devido à presença de bactérias e tecido comprometido. Ainda assim, o odor não permite identificar o agente causador do quadro.

Outro exemplo são alterações no hálito associadas à saúde bucal, como gengivite, que podem gerar cheiro desagradável mas não significam, necessariamente, uma infecção sistêmica.

O odor serve para alguma coisa?

Na prática, o odor pode funcionar como um sinal de alerta inicial, mas nunca como diagnóstico. De acordo com Carra, em alguns casos ele pode ser o primeiro indício percebido pelo paciente, como no hálito cetônico da diabetes ou até no surgimento precoce de odor corporal em alterações hormonais. Ainda assim, o médico faz um alerta: o cheiro deve ser visto apenas como um indicativo complementar.

“O odor pode levantar suspeitas e direcionar a investigação, mas não deve ser usado isoladamente para confirmar ou descartar doenças”, ressalta.

Gamba reforça o risco de erro: associar cheiro diretamente a doenças infecciosas pode levar a interpretações equivocadas e atrasar o diagnóstico correto.

O que observar na prática

Se você notar um odor diferente persistente, seja no hálito, suor ou secreções, o caminho não é tentar adivinhar a causa, e sim procurar avaliação médica.

O mesmo tipo de cheiro pode ter origens completamente diferentes, desde alterações hormonais até questões metabólicas ou até algo simples, como mudanças na alimentação ou na microbiota da pele. O cheiro até pode dar pistas, mas confiar nele como resposta é um atalho arriscado, e, muitas vezes, enganoso.



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