No programa Viva Maria, a homenageada do dia é a escritora Conceição Evaristo, autora que construiu uma trajetória na literatura ao “aprender a escrever de ouvido”, como costuma definir sua relação com a palavra. Militante dos movimentos de valorização da cultura negra, ela iniciou sua produção literária ainda na juventude como leitora assídua de autores brasileiros, mas só publicou seus primeiros contos em 1990.
A estreia aconteceu na série Cadernos Negros, editada pelo grupo Quilombhoje, em São Paulo. Uma década depois, lançou o romance Ponciá Vicêncio, seguido por Becos da Memória, obra que permaneceu duas décadas guardada antes da publicação. Em 2007, Ponciá Vicêncio tornou-se leitura obrigatória no vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ampliando seu público, especialmente entre jovens. O livro também ganhou tradução para o inglês e passou a ser comercializado nos Estados Unidos.
Em março de 2019, quando compareceu ao Clube do Livro em Paris, ela foi um dos destaques da delegação brasileira. Habituada com a curiosidade que sua presença nesses ambientes costuma despertar até hoje, ela gosta de lembrar: “Quando mulheres do povo como eu nos dispomos a escrever, estamos rompendo com o lugar que normalmente nos é reservado. A mulher negra pode cantar, dançar, cozinhar, pode se prostituir, mas escrever não”.
A escritora Conceição Evaristo é a convidada desta edição do programa Viva Maria. Confira a entrevista no player.

